Ômega 3: vale a pena mesmo tomar?

Ômega 3: vale a pena mesmo tomar?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Setembro de 2021 às 12h40
Leohoho/Unsplash

​Você já ouviu falar do Ômega 3? Trata-se, basicamente, de um lipídio da família das gorduras poli-insaturadas que conta com ação anti-inflamatória e que pode ser utilizado para controlar os níveis de colesterol e glicemia. Normalmente, é encontrado em peixes como salmão, atum e sardinha, mas costuma ser consumido como suplemento na forma de cápsulas. Mas e aí: vale a pena tomar?

Antes de tudo, vale entender que o Ômega 3 pode ser definido em quatro tipos:

  • Ácido docosahexaenoico (DHA): encontrado em peixes marinhos;
  • Ácido eicosapentaenoico (EPA): encontrado em peixes;
  • Ácido Alfa-Linolênico (ALA): encontrado na linhaça, chia, oleaginosas (castanhas) e alga;
  • Ácido estearidônico: encontrado nos óleos de prímula, borragem, echium - somentes disponíveis em forma de suplemento.

O que a ciência diz sobre o Ômega 3

Não faltam estudos apontando os benefícios do Ômega 3. O mais recente foi publicado no último mês de julho, e sugere que níveis mais altos desses ácidos no sangue aumentam a expectativa de vida em quase cinco anos, e que um aumento de 1% dessa substância no sangue está associado a uma mudança no risco de mortalidade semelhante ao de parar de fumar.

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O estudo analisou dados sobre os níveis desses ácidos no sangue em 2.240 pessoas com mais de 65 anos, que foram monitoradas por uma média de onze anos. O objetivo foi validar quais ácidos funcionam como bons preditores de mortalidade, além dos fatores já conhecidos.

(Imagem: JuliaManga/Envato)

Em 2018, o grupo Cochrane, formado por pesquisadores que avaliam evidências científicas, revisou 80 estudos sobre os efeitos do Ômega 3 para a saúde cardiovascular, envolvendo 112 mil pessoas, e concluiu que consumir as cápsulas não reduz doenças do coração, Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou morte por essas causas, mas pode reduzir os triglicérides e é eficaz na prevenção de alguns casos de doenças cardiovasculares.

De acordo com o Escritório de Suplementos Dietéticos do Instituto de Saúde dos Estados Unidos, o consumo de altas doses de Ômega 3, por longo período de tempo, podem reduzir as respostas do sistema imunológico às inflamações e  levar a sangramentos. Outros efeitos colaterais envolvem mau hálito, suor com odor, dor de cabeça e sintomas gastrointestinais, como azia, náusea ou diarreia.

Outro estudo, chamado Vital, feito por médicos do Brigham and Women's Hospital (da Harvard Medical School), acompanhou mais de 25 mil pessoas desde 2010 e se concentrou em saber se a ingestão diária de suplementos reduzia o risco de eventos cardíacos ou câncer em indivíduos saudáveis, e descobriu que o ômega 3 não reduzo risco de eventos cardíacos maiores em uma população de risco normal, mas reduz o risco em um subconjunto de pessoas com baixo consumo de peixe em 19%.

Fonte: The New York Times, NIH, G1

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