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Óculos anti-luz azul não são tão eficazes quanto se imaginava

Por| Editado por Luciana Zaramela | 18 de Agosto de 2023 às 17h15

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Thomas Krueger/Unsplash
Thomas Krueger/Unsplash

Os óculos que prometem bloquear a luz azul podem não ser tão eficazes quanto se imagina. Pelo menos, essa é a afirmação de um estudo conduzido pela University of Melbourne e publicado na revista científica Cochrane Database of Systematic Reviews. Segundo os autores, o item em questão pode não cumprir o que vende.

Para chegar a essa descoberta, os pesquisadores analisaram 17 estudos relacionados ao uso de óculos que bloqueiam a luz azul. O grupo descobriu que nada conclusivo pode ser dito sobre os benefícios dos óculos bloqueadores de luz azul na saúde geral dos olhos, na qualidade do sono ou no desempenho visual.

Óculos anti-luz azul funcionam?

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“Descobrimos que pode não haver vantagens de curto prazo com o uso de lentes de óculos com filtro de luz azul para reduzir o cansaço visual associado ao uso do computador, em comparação com lentes que não filtram. Também não está claro se essas lentes afetam a qualidade da visão ou os resultados relacionados ao sono, e nenhuma conclusão pode ser tirada sobre quaisquer efeitos potenciais na saúde da retina a longo prazo", apontam os pesquisadores, em comunicado.

A equipe opina que as pessoas devem estar cientes dessas descobertas ao decidir comprar essas lentes. “Os resultados de nossa revisão mostram que as evidências são inconclusivas e incertas. Nossas descobertas não apoiam a prescrição de lentes com filtro de luz azul para a população", o comunicado complementa.

No entanto, os próprios pesquisadores reconhecem que ainda são necessários estudos clínicos com acompanhamento mais longo em populações mais diversas para determinar com mais clareza os efeitos potenciais de lentes de óculos com filtro de luz azul. Futuros estudos também são necessários para examinar se os resultados de eficácia e segurança variam entre diferentes grupos de pessoas, com base em diferentes tipos de lentes.

“Filtrar níveis mais altos de luz azul exigiria que as lentes tivessem uma tonalidade âmbar óbvia, o que teria um efeito substancial na percepção das cores”, concluem os pesquisadores.

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O que é luz azul?

Para entender o que é luz azul, basta saber que é este espectro de luz que sinaliza ao cérebro quando é hora de acordar, iniciando diferentes processo bioquímicos. Conforme o dia vai escurecendo, a intensidade da luz azul diminui e se inicia a produção de melatonina.

Assim, a luz azul natural faz parte do nosso ciclo circadiano, ou seja: o nosso relógio biológico. No entanto, diferentes estímulos desregulam esse relógio. Os aparelhos eletrônicos emitem uma quantidade de luz azul prejudicial para esse ciclo e para o próprio olho.

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De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature Partner Journals (NPJ) Aging, os problemas da exposição à luz azul aumentam com a idade.

Como lidar com a luz azul

Estudos já destacaram diversos malefícios da luz azul, como a insônia, por exemplo. Em uma era tomada pelas telas, todo o cuidado com a visão é pouco. Em entrevista anterior ao Canaltech, Leon Grupenmacher, oftalmologista e professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), afirmou que as telas não são inimigas, desde que usadas de forma adequada.

Na ocasião, o especialista deu dicas para preservar a visão durante a exposição às telas, levando em consideração a luz azul: "A distância ideal indicada entre o indivíduo e a tela é de 30 a 40 centímetros. O que faz mal é usar a visão da maneira errada, sem o descanso, sem piscar, que acaba ocasionando as doenças oculares", explicou.

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Fonte: The University of Melbourne, Cochrane Database of Systematic Reviews, UC Davis Health