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O que é doença endêmica?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 26 de Janeiro de 2022 às 14h09

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kjpargeter/Freepik
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Passados mais de dois anos da descoberta do coronavírus SARS-CoV-2, cientistas, autoridades de saúde e organizações anunciam os próximos passos para o futuro da covid-19. A tendência é que a doença se torne endêmica e que o mundo encerre este capítulo mais agudo da pandemia.

Por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve anunciar, até o final de fevereiro, um plano de transição da pandemia da covid-19 para uma "fase de controle", de acordo com o diretor de Emergências Sanitárias da entidade, Mike Ryan. Em outras palavras, as pessoas precisarão conviver com o vírus.

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A diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Rochelle Walensky, afirmou que a covid-19 "provavelmente se tornará uma doença endêmica aqui nos Estados Unidos e em todo o mundo”. Além disso, Walensky lembrou que "temos muitas doenças endêmicas, sendo a gripe uma delas, que nos causam pequenos desafios ano após ano para podermos lidar e enfrentar, e isso pode muito bem ser o que acontecerá com a covid”.

Vale destacar que essa mudança na estratégia para lidar com a covid-19 não significa que o vírus, milagrosamente, desaparecerá da Terra. Hoje, a fase endêmica ainda não chegou para a maioria dos países, já que ainda são registrados altos números de casos, hospitalizações e mortes causadas pela variante Ômicron (B.1.1.529). A mudança deve ocorrer, de fato, quando a atual onda passar, mas a vida normal de antes da pandemia dificilmente voltará.

O que é uma doença endêmica?

De acordo com o CDC, uma endemia pode ser definida como “a presença constante e/ou prevalência usual de uma doença ou agente infeccioso em uma população dentro de uma área geográfica”. Para o professor da Universidade Johns Hopkins, Stuart Ray, também podemos a definir como “um ponto em que a infecção não é mais imprevisível”.

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Pandemia e epidemia

Aqui, é importante destacar a diferença entre dois outros termos muito usados nos últimos anos: pandemia e epidemia. Por epidemia, é possível entender como um grande surto de uma doença, limitado a um espaço geográfico específico, como um estado ou país.

Agora, a pandemia ocorre quanto uma epidemia deixa de afetar um local específico e chega a todo o globo, tornando-se mundial. Casos de pandemia tendem a ocorrer quando surgem um novo vírus ou cepa contra o qual os humanos têm pouca ou nenhuma imunidade.

Pensando no coronavírus SARS-CoV-2, “o fim da pandemia não significa que o vírus se foi”, explica William Schaffner, da Fundação Nacional de Doenças Infecciosas. Isso porque "continuaremos a ter que lidar com ele, independente de quais são as características desse vírus”, completa.

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Covid-19 será mais leve?

Quando o fim da pandemia chegar, é normal se questionar sobre a possibilidade da covid-19 se tornar uma doença menos grave. Só que isso não é necessariamente verdade e pode ser um grande equívoco. “Endêmico não significa que algo não é nocivo. Significa apenas [que é] relativamente estável e previsível”, reforça Ray, da Johns Hopkins.

Por exemplo, a gripe é uma doença endêmica. Por ano, centenas de milhares de hospitalizações ocorrem por causa da influenza nos EUA, sendo que entre 12 mil e 52 mil pessoas morrem em decorrência das suas complicações, segundo estimativa do CDC. O sarampo e a varicela também podem ser consideradas doenças endêmicas.

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Além disso, é possível ter epidemias ou pandemias de doenças endêmicas, principalmente, quando novas variantes surgem com mutações que podem tornar um vírus mais transmissível.

Quando o futuro do coronavírus chegará?

Para a pandemia da covid-19 se tornar uma endemia, deverá existir um equilíbrio entre o nível de transmissão do coronavírus e o nível de imunidade da população, o que poderá ocorrer pelos milhões de casos da variante Ômicron que foram registrados desde o começo deste ano.

No entanto, as decisões sobre as taxas toleráveis de casos da covid-19 deverão variar de país para país, o que resultará em abordagens diferentes. Independente dos índices, será necessário combinar medidas comportamentais (máscaras) com formas de prevenção (vacinas) e tratamentos disponíveis (antivirais), dependendo do momento.

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Além disso, para encerrar a fase aguda da pandemia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defende que países devem garantir acesso equitativo aos imunizantes em todo o mundo, principalmente nos de baixa renda. Isso evitará que novas variantes surjam e se espalhem pelo mundo, como a Ômicron. “Simplesmente não podemos encerrar a fase de emergência da pandemia, a menos que preenchamos essa lacuna”, completou Tedros.

Fonte: The Washington Post e CDC