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Paciente é "curado" do HIV após procedimento de alto risco feito há 9 anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Fevereiro de 2023 às 18h00

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AtlasComposer/Envato Elements
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No mundo, apenas um pequeno grupo de pacientes conseguiu se curar do HIV, após um transplante de medula óssea. Este é um procedimento de alto risco, sendo apenas considerado quando o indivíduo com o vírus da Aids também apresenta leucemia (câncer no sangue). Agora, um novo estudo reforça o estado de remissão obervado em um paciente, de 53 anos, tratado na cidade alemã de Düsseldorf.

Por conta dos riscos envolvidos, o transplante de medula óssea não é e nem deve se tornar o tratamento padrão para pessoas que convivem com o HIV. Só que o crescente número de casos de cura, como o paciente Berlim, o de Londres, o da Califórnia e o mais recente, podem trazer valiosos insights para o campo científico, o que, um dia, deve culminar na cura massiva da condição.

Como o paciente de Düsseldorf foi curado do HIV?

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Na Alemanha, o paciente — cujo nome oficial não foi divulgado — entrou em estado de remissão (deixou de apresentar sinais da infecção) após receber um transplante de células-tronco para leucemia, no final de 2013. Alguns anos depois, em 2018, os médicos suspenderam o tratamento do HIV e, até o momento, remédios para controlar o agente infeccioso não são mais necessários, segundo artigo publicado na revista científica Nature Medicine.

“Ao acompanhar o paciente por uma década após o transplante, os pesquisadores mostraram que seu sistema imunológico resistente ao HIV está estável e funcionando bem, e que o paciente permanece saudável após interromper a terapia antiviral por 4 anos”, comenta Ioannis Jason Limnios, pesquisador do Clem Jones Center for Regenerative Medicine da Bond University, na Austrália, em comunicado.

Qualquer transplante de medula óssea pode curar o HIV?

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Vale explicar que o transplante de célula-tronco substitui o sistema imunológico de um indivíduo pelo de outra pessoa. Basicamente, o sistema "defeituoso" é reconstruído com as células-tronco transplantadas. Para que um possível caso de cura do HIV ocorra nesse processo, é necessário que o doador tenha uma rara anormalidade genética que confere resistência ao vírus da AIDS.

Embora poucas pessoas saibam, alguns indivíduos nascem com a capacidade natural de não ser infectado pelo vírus. Isso ocorre quando a pessoa carrega uma mutação conhecida como CCR5-delta 32 no DNA. Além da mutação, o doador e o receptor devem ser compatíveis.

No caso do novo paciente alemão, dados recentes indicam que o tratamento foi altamente benéfico. "Passados quatro anos da interrupção do tratamento, a ausência de rebote viral e a ausência de correlatos imunológicos da persistência do antígeno HIV-1 são fortes evidências de cura do HIV-1", completam os autores do estudo sobre os resultados do procedimento de alto risco.

Fonte: Nature Medicine e Scimex