Nova subvariante XE, derivada da ômicron, não é preocupante, dizem especialistas

Nova subvariante XE, derivada da ômicron, não é preocupante, dizem especialistas

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 06 de Abril de 2022 às 11h31
photocreo/Envato

Uma nova subvariante da ômicron — a XE, combinação entre a BA.1 e BA.2, sublinhagens da mesma cepa — vêm chamando a atenção de especialistas e autoridades de saúde. Apesar de ter uma transmissibilidade maior, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não vê motivos para preocupação até o momento, já que não há aumento na gravidade da infecção e o comportamento é muito semelhante ao da variante "mãe".

As recombinações, grupo ao qual a subvariante XE pertence, acontecem quando uma pessoa se infecta com duas cepas diferentes simultaneamente. Nesse caso, são duas sublinhagens, que misturaram o material genético dentro do paciente em questão: esse acontecimento é comum, ainda mais com tantas variantes circulando, e já o vimos diversas vezes durante a pandemia de SARS-CoV-2.

Até o momento, a subvariante XE têm se comportado como a ômicron (BA.1 e BA.2), não sendo motivo para maiores preocupações (Imagem: Mstandret/Envato Elements)
Até o momento, a subvariante XE têm se comportado como a ômicron (BA.1 e BA.2), não sendo motivo para maiores preocupações (Imagem: Mstandret/Envato Elements)

Origens da subvariante XE

A subvariante XE foi detectada pela primeira vez no Reino Unido, em 19 de janeiro deste ano. Ela é uma combinação da BA.1, que conhecemos como a ômicron original, e uma de suas variantes, a BA.2. Desde então, o país detectou 637 casos dessa nova cepa — a Grã-Bretanha é um dos locais que melhor monitoram a covid-19 no mundo, incluindo aspectos genéticos do vírus.

Em boletim epidemiológico, a OMS informou que a XE seria 10% mais transmissível do que a BA.2, que, por sua vez, também é mais transmissível que a original BA.1. Embora não tenhamos dados sobre a eficácia de imunizantes como as vacinas contra a nova subvariante, a OMS explicitou que ela é uma sublinhagem da ômicron e, a princípio, se comporta como ela. Até que mais estudos sejam feitos e alguma diferença relevante seja descoberta, o esquema atual de vacinação continua valendo e imunizando como esperado.

A variante "mãe", a ômicron, já é menos agressiva do que as anteriores, já que é mais infecciosa na parte superior do sistema respiratório — como boca e garganta —, afetando menos o pulmão e o danificando menos. Tanto a BA.1 quanto a BA.2 seguiram nessa tendência, então é provável que a XE apresente as mesmas características, sendo menos grave do que a variante delta, por exemplo.

Esquema de vacinação continua sendo o mesmo, já que as novas subvariantes não parecem se comportar de forma diferente ao vírus em relação às anteriores (Imagem: Prostock-studio/Envato Elements)
Esquema de vacinação continua sendo o mesmo, já que as novas subvariantes não parecem se comportar de forma diferente ao vírus em relação às anteriores (Imagem: Prostock-studio/Envato Elements)

Outras subvariantes

As autoridades de saúde do Reino Unido monitoram, ainda, duas outras recombinações do vírus, chamadas XF e XD, que derivam de uma mesclagem da delta (AY.4) com a BA.1, da ômicron. Popularmente, são conhecidas como deltacron. Até o momento, 38 casos da XF foram registrados na Grã-Bretanha, enquanto a XD teve 49 casos — nenhum no país, com a maioria sendo na França.

A ausência de transmissão comunitária dessas variantes têm acalmado os especialistas, que temiam por mudanças na transmissibilidade, gravidade ou escape às vacinas. Até que estudos mais profundos sejam feitos no genoma dos vírus, não há motivo para preocupações, já que o esperado é que o comportamento seja igual ao da variante ômicron.

Fonte: O Globo

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