Médicos usam pele de tilápia para fazer reconstrução vaginal em pacientes raras

Médicos usam pele de tilápia para fazer reconstrução vaginal em pacientes raras

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Maio de 2022 às 18h48
twenty20photos/envato

A pele de tilápia tem sido utilizada por pesquisadores como uma solução para determinados casos de lesão ou queimadura na pele, e com o passar do tempo, passou a ser vista como uma aliada da ginecologia, principalmente no que diz respeito a síndromes raras, como a Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (SMRKH), que traz a atrofia parcial ou completa da vagina.

A pele de tilápia também é usada na cirurgia para construção de um canal vaginal em pessoas transsexuais, na Colômbia. Ao todo, já foram realizados 50 procedimentos no país. No Brasil, cabe à Universidade Federal do Ceará (UFC) a forte presença da utilização desse recurso, mas o governo ainda não autorizou a realização dos procedimentos de redesignação sexual em pacientes transgênero.

No caso da síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (SMRKH), duas pacientes — Maria Jucilene Moreira e Tainá Fogaça de Souza — deram uma entrevista recente ao G1, relatando que o procedimento cirúrgico não deixa nenhuma cicatriz ou corte, e ainda permite uma vida sexual ativa, sem dor ou qualquer outro incômodo.

A cirurgia foi idealizada em 2017 pelo médico Leonardo Bezerra, professor de ginecologia da UFC. Anteriormente, o procedimento era feito com pele humana, mais precisamente com uma parte da pele da virilha da própria paciente.

O médico explica que o procedimento cirúrgico consiste na criação de um espaço artificialmente pela cirurgia através de incisões entre o reto e a vagina, e a pele de tilápia vem para dar um suporte para esse espaço, para ele não fechar. Normalmente, usa-se pele humana ou próteses de celulose oxidada, mas o custo é alto. O especialista reitera que a pele de tilápia não evoluiu com rejeição, nem com infecção.

Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (SMRKH)

Pacientes com rara síndrome precisam de reconstrução vaginal e normalmente não têm útero (Imagem: Light Field Studios/Envato Elements)

Também chamada de síndrome de Rokitansky com agenesia congênita do canal vaginal, a rara síndrome geralmente se manifesta na puberdade, com a ausência da primeira menstruação. Na prática, a paciente não tem o canal vaginal, então não é possível ter atividade sexual.

Segundo um artigo publicado na Revista Médica de Minas Gerais, a síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (SMRKH), os genitais externos e o hímen são normais, mas as malformações uterinas acontecem na sexta semana do desenvolvimento embrionário. A sua incidência é de cerca de 1 a cada 5 mil mulheres.

Fonte: G1, Ministério da Educação, Revista Médica de Minas Gerais

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