Médicos descobrem coágulos em vários órgãos de vítimas da COVID-19

Por Nathan Vieira | 13 de Julho de 2020 às 16h45
Pixabay

Na última quinta-feira (10), achados relacionados à autópsia de pacientes com COVID-19 mostraram que coágulos sanguíneos da doença estavam presentes não apenas nos pulmões, mas também em quase todos os órgãos das vítimas.

De acordo com a chefe do departamento de patologia do NYU Langone Medical Center, Amy Rapkiewicz, quando o vírus foi descoberto, os médicos acreditavam que a COVID-19 era uma doença respiratória como a pneumonia, mas descobriram que o vírus poderia causar coágulos sanguíneos em diversos locais do corpo que podem levar a problemas mais graves, como acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, inflamação do coração e complicações no sistema imunológico.

Os médicos relataram anteriormente que coágulos excessivos podem ocorrer em grandes vasos sanguíneos, bem como nos pulmões, coração, cérebro e pele. Mas o novo estudo sugere que coágulos também podem afetar vasos menores. "Embora pudéssemos esperar vê-los nos pulmões, encontramos [os coágulos sanguíneos] em quase todos os órgãos que analisamos em nossas autópsias", disse Amy Rapkiewicz durante uma entrevista à CNN.

Patologistas encontram coágulos sanguíneos em órgãos de pacientes com COVID-19 (Imagem: Pixabay)

As autópsias também mostraram algo incomum sobre megacariócitos, grandes células da medula óssea. Acontece que, segundo Rapkiewicz, eles geralmente não circulam fora dos ossos e pulmões. "Nós os encontramos no coração e nos rins, fígado e outros órgãos. Notavelmente no coração, megacariócitos produzem plaquetas, que estão intimamente envolvidas na coagulação do sangue", explicou.

Os pesquisadores esperam descobrir como essas células influenciam a coagulação na COVID-19. Além disso, os patologistas ficaram surpresos com algo que não encontraram: durante os estágios iniciais da pandemia, os médicos pensaram que o vírus provocaria miocardite (inflamação da camada média da parede do coração), mas as autópsias mostraram incidentes muito baixos de inflamação no local. Os especialistas tiveram a chance de examinar os órgãos de muitas vítimas de COVID-19 e investigar os processos de doenças que ocorrem de maneira secundária. Segundo Rapkiewicz, não houve essa oportunidade na época da H1N1, por exemplo.

Fonte: CNN via Science Alert

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