Cientistas alertam sobre consequências neurológicas em pacientes com COVID-19

Por Nathan Vieira | 15 de Junho de 2020 às 14h11
Orla / Shutterstock

Pesquisadores norte-americanos desenvolveram um estudo referente ao efeito da COVID-19 no sistema nervoso, que classifica os danos cerebrais causados em três estágios. No artigo, eles alertam sobre problemas neurológicos em pacientes que sofrem de COVID-19, incluindo derrame, convulsões, confusão, tontura, paralisia e/ou coma. A pesquisa conta com 24 casos que revelam o impacto do COVID-19 no cérebro dos pacientes.

Um dos autores, Dr. Majid Fotuhi, neurologista e diretor do NeuroGrow Brain Fitness Center, em conjunto com uma equipe afiliada da Johns Hopkins Medicine, sugere mais pesquisas sobre os efeitos de longo prazo da COVID no cérebro e enfatiza a necessidade de os pacientes receberem uma ressonância magnética cerebral antes de deixarem o hospital.

"Estamos percebendo que um número significativo de pacientes internados com COVID-19 tem vários graus de comprometimento cerebral. Como comunidade médica, precisamos monitorar esses pacientes ao longo do tempo, pois alguns deles podem desenvolver declínio cognitivo, déficit de atenção ou Alzheimer no futuro", afirma Fotuhi. "Há muito o que fazer para promover a cura cerebral em pacientes com COVID-19, mas primeiro precisamos entender a natureza e a gravidade de seus déficits neurológicos. Fazer ressonância magnética antes de o paciente deixar o hospital é importante para termos um ponto de partida para avaliá-los e tratá-los [no futuro]", continua.

O artigo propõe a adoção de um esquema de classificação em três estágios para fornecer uma base de informações, para facilitar investigações sobre a COVID-19 e sua correlação com o sistema nervoso. O primeiro estágio diz respeito aos danos causados pelo vírus, sendo limitado às células do nariz e da boca. Nesse caso, os principais sintomas incluem perda transitória de olfato e paladar.

Já o segundo estágio apontado pelos estudiosos fala sobre a inflamação que começa nos pulmões e viaja via vasos sanguíneos por todos os órgãos do corpo, levando à formação de coágulos sanguíneos que causam pequenos ou grandes derrames no cérebro.

Por sua vez, o último estágio é quando ocorre uma explosão de toxinas celulares nos vasos sanguíneos do cérebro. Como resultado, os pacientes desenvolvem convulsões, confusão mental, coma ou encefalopatia.

Fotuhi ressalta que muitos pacientes com COVID-19 podem não apresentar sintomas neurológicos perceptíveis no início, mas em alguns casos, os pacientes podem apresentar tais alterações mesmo antes de apresentar febre, tosse ou falta de ar. Além de realizar uma ressonância magnética no hospital, ele enfatiza que os pacientes precisam ser monitorados alguns meses após a hospitalização.

Em maio, os pesquisadores da USP e da Universidade da Região de Joinville (Univille) revisaram artigos publicados recentemente em revistas científicas com a intenção de averiguar prevalência de sintomas neurológicos em pacientes com COVID-19, e uma série de casos relatados por pesquisadores chineses mostra que a prevalência de complicações no sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) e o sistema nervoso periférico (gânglios e nervos) é muito superior em relação ao que se acreditava no ano passado.

Fonte: Eureka Alert

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