Já viu um vírus de verdade se movendo? Pois assista a este vídeo incrível!

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Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 03 de Agosto de 2021 às 11h30
DragonImages/Envato

Entender o comportamento dos vírus é fundamental para pensar em novas terapias e tratamentos contra doenças. Por exemplo, a ciência sabe que o coronavírus SARS-CoV-2 pode ser transmitido através de gotículas respiratórias, mas ainda não se compreende, exatamente, a ação do vírus da COVID-19 nesses espaços bem pequenos. Em busca dessas respostas, uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State ), nos Estados Unidos, investiu em técnicas que pudessem registrar o movimento dos vírus nestes espaços líquidos.  

Liderado pela pesquisadora e professora da Penn State, Deb Kelly, o grupo de cientistas registrou, em alta resolução, como vírus se movem em um ambiente quase nativo. Essa técnica de visualização poderá levar, no futuro, a uma melhor compreensão de como os potencias tratamentos e vacinas se comportam e funcionam conforme interagem com as células-alvo, explicou Kelly.

Pesquisadores buscam novas formas de visualizar o comportamento de vírus que afetam humanos (Imagem: Reprodução/National Cancer Institute/Unsplash)

Para estudar esse mundo microscópico, os pesquisadores gravaram pequenos filmes, de 20 segundos, de vírus humanos flutuando em um líquido com detalhes quase atômicos, através de um microscópio eletrônico. Com técnicas mais tradicionais de registro dos agentes infecciosos — feito com imagens estáticas —, seria necessário registrar o comportamento do vírus por até 24h para se obter um grau de informação parecido, mas não igual.

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“Nossos resultados mostram novas estruturas e percepções ativas de vírus humanos contidos em volumes diminutos de líquido — o mesmo tamanho das gotículas respiratórias que espalham a SARS-CoV-2”, exemplificou a professora Kelly.

Como as imagens foram feitas?

Para registrar o comportamento dos vírus, a equipe de pesquisadores usou um vírus adeno-associado (AAV). São pequenos vírus que infectam humanos e algumas outras espécies de primatas, mas costumam ser inofensivos. Tanto é que essa nanopartícula é usada como vetor viral em vacinas, ou seja, como meio de transporte de informações genéticas de um outro agente infeccioso para o organismo humano. A técnica é usada pela vacina da AstraZeneca/Oxford e da Janssen contra a COVID-19, mas, nestes casos, eles adotam outros vetores virais.

“O AAV é um veículo de terapia genética bem conhecido com aplicações atuais envolvidas na distribuição de drogas e desenvolvimento de vacinas para COVID-19”, comentou Kelly. “Este modelo de sistema já está bem estudado para que possamos utilizá-lo para validar nossa abordagem com o objetivo de ver títulos biológicos em estado líquido, como mantidos no corpo humano”, completou a pesquisadora.

Os resultados do estudo foram vídeos de AAV se movendo em um ambiente líquido. De acordo com a equipe, a resolução dessas imagens foi próxima de 3 a 4 Angstroms (Å) — de modo geral, um átomo pode ser visualizado com um Angstrom (Å). Nas imagens, é possível observar mudanças sutis na superfície da gotícula. De acordo com a pesquisadora, esse movimento sugere que as propriedades físicas da partícula mudam conforme o vírus explora o ambiente em que está inserido. No entanto, novos estudos devem avançar na compreensão e nos efeitos desse comportamento.

O estudo completo foi publicado na revista científica Advanced Materials e pode ser conferido aqui.

Fonte: Science Blog  

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