Hipotireoidismo e hipertireoidismo: diferenças, sintomas e tratamento

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 29 de Maio de 2021 às 09h00
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Todos nós temos uma glândula na região do pescoço, logo abaixo do pomo-de-adão, chamada tireoide, que é responsável pela produção dos hormônios reguladores do nosso organismo. Eles controlam, por exemplo, o funcionamento do intestino, os batimentos cardíacos, a temperatura da pele, humor e ciclos menstruais.

Porém, existem duas alterações na produção desses hormônios que podem prejudicar a qualidade de vida de uma pessoa: quando há o excesso de funcionamento da glândula tireoide, hipertireoidismo, e quando há a redução da produção dos hormônios, o que é chamado de hipotireoidismo.

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As doenças são comuns, mas felizmente podem ser tratadas quando há o diagnóstico adequado. Para entender melhor sobre elas, o Canaltech conversou com dois profissionais da endocrinologia que nos trouxeram mais informações sobre o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, explicando quais são seus sintomas, causas e tratamento.

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Sintomas e outras doenças

Rosa Paula Biscolla, endocrinologista do Fleury Medicina e Saúde, conta que os sintomas das duas doenças são bem distintos. No hipertireoidismo, o paciente fica mais agitado, tem o intestino regulado, sente o coração palpitar com mais intensidade, sente calor e tremores nas extremidades, tem insônia, perda de peso, aumento da região do pescoço e alterações nos olhos, como lacrimejamento, sensação de corpo estranho e aumento. Já no hipotireoidismo, o organismo do paciente funciona com mais dificuldade, a pessoa pode ter o raciocínio lento, sentir frio com frequência, sofrer de alteração de memória, sonolência, indisposição, intestino preso e ganho de peso.

Adriano Radin, endocrinologista da DaVita Serviços Médicos, conta que tanto o hipertireoidismo quando o hipotireoidismo podem provocar o surgimento de outras doenças. "No caso do hipertireoidismo, o excesso de hormônios tireoidianos aumenta o risco de desenvolvimento de algumas arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca. No hipotireoidismo, também existe o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca e aumento de colesterol, com suas complicações", explica o médico.

Radin explica ainda que ambas as doenças podem acometer gestantes, provocando outros tipos de complicações. No caso do hipertireoidismo, a grávida pode sofrer de pré-eclâmpsia, que resulta na pressão arterial elevada, trazendo ainda riscos de aborto, prematuridade e baixo peso do bebê. No hipotireidismo a mulher pode passar por pré-eclâmpsia, anemia, hipoatividade na tireoide do bebê, sangramentos pós-parto, distúrbios do desenvolvimento físico e mental da criança, baixo peso e prematuridade.

Biscolla ressalta ainda que o hipertireoidismo e a hipotireoidismo são doenças autoimunes, e por isso acometem mais as mulheres. Por isso, o organismo considera a tireoide como um órgão diferente, produzindo anticorpos que estimulam e inibem a produção dos hormônios. Radin explica que mulheres no período pós-parto ou na menopausa são as mais atingidas pelo hipertireoidismo, que também pode ataca os adultos mais jovens.

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As doenças são genéticas?

Uma das dúvidas que podem surgir em relação às doenças é se elas são provocadas por um fator genético. Radin conta que ambas as doenças podem ocorrer pela predisposição familiar, assim como qualquer outra doença de origem autoimune, mas que existem outras causas.

"Entre as outras causas para hipotireoidismo estão desde mutação de fatores responsáveis pelo desenvolvimento da hipófise e da tireoide, com desenvolvimento de hipotireoidismo congênito, até medicamentos, doenças infiltrativas, doenças inflamatórias, radioterapia externa, deficiência grave de iodo e deficiência congênita na formação de hormônios tireoidianos", exemplifica o médico. "No hipertireoidismo, as causas mais comuns incluem, além da causa autoimune conhecida como Doença de Graves, os nódulos tóxicos, únicos ou múltiplos", completa.

Gravidade e tratamento

Perguntamos aos endocrinologistas quais são os tipos de tratamento contra ambas as doenças e se uma é mais grave que a outra. No caso do hipotireoidismo, como o hormônio não está sendo produzido na quantidade desejada, é feita uma reposição. 

No hipertireoidismo, o medicamento vai bloquear a produção de hormônio pela tireoide, ajudando ainda na regulação da frequência cardíaca e dos tremores. "Se mesmo com esse tratamento não houver êxito, pode ser indicado o tratamento definitivo com iodo radioativo ou cirurgia para a remoção da glândula", explica a doutora. 

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Antes de tratar, claro, é preciso fazer o diagnóstico adequado. A partir de uma consulta médica com um endocrinologista, será investigado o histórico de saúde do paciente, que então irá realizar exames de sangue para avaliar a dosagem de TSH e T4.

"Em seguida, se confirmado que o paciente tem hipotireoidismo, o especialista vai indicar a reposição com o hormônio da tireoide chamado de levotiroxina, se houver necessidade. Já se for o caso do hiper, serão utilizados medicamentos antitireoidianos que inibem a formação do hormônio da tireoide, e se necessário também medicações que controlam a ação destes hormônios betabloqueadores. Caso não ocorra resposta ao tratamento, pode ser indicado o tratamento com iodo radiativo ou cirurgia para remoção da glândula", reforça a médica.

Radin pontua também que o hipertireoidismo é mais complicado de tratar, enquanto o hipotireoidismo é mais simples. Mesmo assim, com o diagnóstico e tratamento adequado, é possível viver normalmente com as doenças. 

 

 

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