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H5N1 | Milhares de leões-marinhos morrem com a gripe aviária no Peru

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Março de 2023 às 14h17

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Vedrana2701/Envato
Vedrana2701/Envato

Casos da gripe aviária H5N1 têm se disseminado entre os animais pelo mundo e já estão em alta na América do Sul. Nesta semana, autoridades de saúde do Peru confirmaram que a doença também é observada em mamíferos — o que pode representar um possível risco aos humanos —, além das aves. Mais de 3,4 mil leões-marinhos (Otaria flavescens) morreram em decorrência da infecção no litoral do país.

Segundo o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp), a disseminação da gripe aviária tipo A, do subtipo H5N1, é potencialmente crítica para a biodiversidade do país. Antes do surto, era estimado que 105 mil leões-marinhos vivessem no país, diante das novas mortes confirmadas, já é possível calcular a redução de pelo menos 3,2% no tamanho da população, que vive em áreas protegidas.

“A mortandade em massa de leões marinhos sugere que pode haver transmissão de mamífero para mamífero, embora não possamos confirmar isso”, explica Mariana Leguia, do Laboratório de Genômica da Pontifícia Universidade Católica do Peru em Lima, para o jornal The Guardian. “Obviamente, isso é preocupante, porque se trata de um vírus com potencial patogênico para humanos”, pontua Leguia.

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Mamíferos em risco com a gripe aviária H5N1

Além dos leões-marinhos, cinco focas e pelo menos um golfinho foram vítimas fatais da gripe aviária H5N1. Em fevereiro, dentro de um zoológico na cidade de Huancayo, um leão também morreu em decorrência da doença, confirmando a facilidade de infecção do vírus junto aos mamíferos.

“O fato de o vírus não estar apenas em aves, mas também em mamíferos, significa que é potencialmente arriscado para o público”, afirma Pilar Ayala, bióloga do Peru Serfor, para o jornal . “Atualmente, [a doença] é observada em diferentes espécies de mamíferos. Por isso, devemos tomar precauções para evitar outra pandemia para os humanos”, acrescenta.

Neste ponto, até aves potencialmente infectadas que vagueiam a costa e estão próximas de banhistas na praia podem ser possíveis vetores. O risco de se deparar com um animal contaminado é considerável, já que, até o momento, 63 mil pássaros morreram em decorrência da infecção, sendo que a maioria era do tipo marinho. Em outra frente, o vírus se espalha em animais de criação, como em granjas.

Medidas para conter a chegada da gripe aviária no Brasil

“O Brasil está em alerta pelo risco de introdução do vírus da influenza aviária por meio das aves silvestres", comenta Marcia Barbosa, secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (SEPPE/MCTI), em nota.

Para rastrear possíveis casos, a equipe do MCTI, através da Rede Previr, já coletou 602 amostras de 43 indivíduos de seis espécies de aves migratórias e de uma residente. Nas análises, foi possível identificar o caso de um pilrito-de-uropígio-branco (Calidris fusicollis) infectado, mas o pássaro testou positivo para um vírus da influenza de baixa patogenicidade, o que não representa risco.

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Em paralelo, os cientistas do Instituto Butantan começam a desenvolver uma vacina própria contra a gripe aviária H5N1. A expectativa é que os testes pré-clínicos — aqueles feitos em laboratório, sem a inoculação da fórmula em humanos — sejam concluídos este ano.

Fonte: The Guardian e MCTI