Fiocruz começa a desenvolver vacina contra malária

Fiocruz começa a desenvolver vacina contra malária

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Abril de 2022 às 17h05
FabrikaPhoto/Envato Elements

Equipe de pesquisadores brasileiros trabalha no desenvolvimento de uma nova vacina contra a malária. Ainda em fase pré-clínica, os testes para o potencial imunizante verificam a capacidade de neutralização do Plasmodium vivax, transmitido através da picada do mosquito Anopheles.

Financiada pelo Fundo Global de Tecnologia Inovadora em Saúde (GHIT) do Japão, a pesquisa para a vacina contra a malária é liderada, no Brasil, pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação de Medicina Tropical (FMT).

Cientistas da Fiocruz testam potencial vacina contra a malária em laboratório (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

Além do braço brasileiro, o estudo internacional engloba diferentes centros de pesquisa, como a Universidade de Kanazawa, no Japão, e a Universidade de Cambridge, do Reino Unido.

Casos de malária no Brasil

Vale explicar que o Plasmodium vivax é responsável pela maioria dos casos da malária no Brasil. Por causa da alta incidência da doença (endêmica) no estado do Amazonas, é possível coletar sangue de voluntários infectados e usar estas amostras nos testes da potencial vacina, o que será um importante tópico na validação do imunizante.

"Manaus tornou-se um centro promissor para realização dos ensaios, porque há atendimento de pacientes com malária diariamente e temos infraestrutura instalada que permite o desenvolvimento desses testes", detalha a vice-diretora de Pesquisa da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, em comunicado. Lopes também é responsável por coordenar o braço brasileiro do estudo.

Estudo da potencial vacina

Para a pesquisa do potencial imunizante, a equipe conta com um plataforma que "pode avaliar atividade antimalárica ex vivo [em tecidos ou amostras retirados de um organismo vivo] contra estágio sanguíneo do parasita, assim como a atividade no bloqueio da transmissão do parasita ao vetor em ensaios in vivo através da infecção experimental de mosquitos Anopheles colonizados”, explica a cientista Lopes.

Caso os testes em laboratório ocorram conforme o esperado e demostrem a eficácia do composto, a pesquisadora deverá incrementar a plataforma com o ensaio in vitro contra o estágio hepático do parasita, que está em fase de validação.

Para Lopes, "um dos grandes gargalos para o controle da malária vivax reside na existência de um estágio latente no fígado, o hipnozoito, que é responsável pelo reaparecimento da doença sem a necessidade de uma nova picada do mosquito infectado”.

Apesar dos avanços no combate à malária, os medicamentos atualmente disponíveis não podem ser usados para todos os pacientes, como gestantes, devido aos seus efeitos colaterais. Neste cenário, "a busca por novas substâncias com este potencial se faz necessária”, completa a cientista. Em outras palavras, a prevenção é a melhor forma de combater a infecção.

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira vacina contra a malária. O imunizante recebeu a autorização de uso, após o sucesso dos programas piloto de imunização em Gana, Quênia e Malauí.

Fonte: Agência Fiocruz  

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