Experimento: Ômicron cresce 70x mais rápido que Delta nos brônquios

Experimento: Ômicron cresce 70x mais rápido que Delta nos brônquios

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 16 de Dezembro de 2021 às 19h30
Kalhh/Pixabay

A variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus SARS-CoV-2 consegue se multiplicar 70 vezes mais rápido do que a versão original do vírus ou que a Delta (B.1.671.2) no tecido dos brônquios em 24 horas, segundo experimento da Universidade de Hong Kong. Os testes foram feitos em laboratório.

Por outro lado, o estudo — ainda não revisado por pares — descobriu que a infecção causada pela Ômicron avança de forma mais lenta no pulmão do que as outras cepas do vírus da covid-19. A taxa de crescimento é 10 vezes menor do que a desencadeada pelo coronavírus original.

Ômicron cresce muito mais rápido nos brônquios, segundo estudo (Imagem: Reprodução/Universidade de Hong Kong)

A Ômicron é mais ou menos perigosa?

A evolução mais lenta da Ômicron no pulmão pode ser um indicador de menor gravidade da doença, caso os resultados sejam os mesmos no corpo humano. Essa hipótese ainda não foi confirmada em estudos clínicos.

No entanto, "a gravidade da doença em humanos não é determinada apenas pela replicação do vírus, mas também pela resposta imune do hospedeiro à infecção, que pode levar à desregulação do sistema imunológico inato, ou seja, causar a 'tempestade de citocinas''', explica o pesquisador Michael Chan Chi-wai, um dos responsáveis pelo estudo.

Vale lembrar que, no modelo usado pelo estudo, os tecidos do pulmão e dos brônquios não contam com as defesas naturais do corpo para impedir o avanço da infecção.

Além disso, "nossos estudos recentes mostram que a variante Ômicron pode escapar, parcialmente, da imunidade de vacinas e infecções anteriores", o que pode ser mais um sinal de risco, segundo o pesquisador.

Vantagem na disseminação da nova variante?

“Esses autores descobriram que a Ômicron se replica fantasticamente bem — muito melhor do que o Delta ou o vírus original — no tecido brônquico”, explica Jeremy Kamil, professor associado da Louisiana State University Health Shreveport, para o jornal The Guardian.

“Isso pode, de certa forma, contribuir para uma vantagem na disseminação e transmissão entre as pessoas" da nova variante, comenta o professor Kamil.

Fonte: The Guardian e Universidade de Hong Kong     

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