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Existe repelente para carrapato?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 16 de Junho de 2023 às 14h22

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James Gathany/CDC
James Gathany/CDC

Com o surto de febre maculosa no interior do estado de São Paulo, medidas de proteção contra a doença são recomendadas em áreas de risco. Entre as mais importantes, está o uso de repelente para carrapato, incluindo o carrapato-estrela. Vendidos nas farmácias, os repelentes cujos princípios ativos são DEET (N, N-dietil m-toluamida), IR3535 e icaridina (picaridina) são os melhores, segundo especialistas.

De forma geral, o repelente para carrapato pode ser usado na própria pele ou na roupa. Mesmo simples, esta medida preventiva é bastante importante antes da exposição a alguma situação de risco para o carrapato-estrela e, possivelmente, para a bactéria que causa a febre maculosa.

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Para entender melhor sobre o carrapato-estrela e as formas de proteção contra a febre maculosa, o Canaltech entrevistou Flávio Viani, veterinário e professor de microbiologia na Universidade Cruzeiro do Sul.

Entenda a transmissão da febre maculosa no Brasil

Antes de seguir com o assunto dos repelentes de carrapato, vale explicar a forma como ocorre a transmissão da febre maculosa. Causada por uma bactéria da família Rickettsia, a infecção é transmitida por três principais espécies de carrapato-estrela do gênero Amblyomma: A. cajennense, A. sculptum e A. aureolatum. No Brasil, apenas os dois primeiros estão em circulação.

Só que a doença é transmitida apenas se o carrapato estiver contaminado com a bactéria. Em outras palavras, é preciso que ele pique um hospedeiro infectado, como um animal. Se infectado, “a bactéria será transmitida tanto para as próximas gerações de carrapatos como para os novos hospedeiros que os carrapatos vão atacando ao longo do seu ciclo”, pontua o professor de microbiologia. Inclusive, a transmissão pode ocorrer em todas as fases: larva, ninfa e adulto.

Onde vive o carrapato-estrela?

Por aqui, os carrapatos podem ser encontrados em pastagens e em áreas de campo, atacando principalmente cavalos. “Embora cavalos, antas e capivaras sejam os principais hospedeiros destas espécies, as fases imaturas — larvas e ninfas — atacam inúmeras espécies de mamíferos, além de algumas aves”, explica Viani. São os casos dos humanos, gatos e cachorros.

Dá para sentir a picada do carrapato?

“As larvas e ninfas, após sua muda, ficam nas extremidades dos talos de capim aguardando a passagem de um possível hospedeiro. Assim que percebem o CO2 emitido pela pele, migram para o novo hospedeiro e se fixam”, detalha, sobre a estratégia do aracnídeo.

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O ponto é que nem sempre a pessoa sente a picada, ainda mais quando o carrapato não está na sua fase adulta. “A picada das larvas é praticamente imperceptível, sendo que o indivíduo só nota quando a reação alérgica se desenvolve. Pelo tamanho diminuto das larvas, é comum a suspeita de que se trata de uma ‘pinta’”, comenta Viani.

O tempo de duração da picada também é um fator de risco para o desenvolvimento (ou não) da febre maculosa. Por exemplo, o “A. sculptum necessita por volta de 10 horas de fixação na pele para transmissão da doença, enquanto A. aureolatum consegue transmitir em poucos minutos”, pontua.

Melhor repelente para carrapato

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Diante dos desafios que áreas endêmicas para a febre maculosa apresentam, o uso do repelente de carrapato é fundamental para a proteção. Inclusive, um estudo da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, destaca que os três princípios-ativos DEET, IR3535 e icaridina são eficazes na prevenção da picada do carrapato. O artigo foi publicado na revista Pesticide Biochemistry and Physiology.

Inclusive, Viani destaca a importância dos repelentes, já que “são eficientes para a prevenção da picada, chegando alguns a uma prevenção de até 95% durante o tempo de ação, que varia entre os ativos de 4 a 10 horas”.

“Sabendo que a prevenção — embora alta — não é de 100%, quanto maior a exposição, maior a chance de ocorrer a picada”, lembra Viani. Por isso, o especialista destaca outras medidas complementares, especialmente em áreas já conhecidas por terem infestação de carrapatos.

Óleos e produtos naturais repelem carrapato-estrela?

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Quando o assunto é repelente para carrapatos, algumas intervenções "menos químicas" e "mais naturais" costumam ser alvo de discussão, como o óleo de citronela. No entanto, o efeito protetor dessas substâncias não está estabelecido.

“Óleos e essências oriundos de diversificada flora — eucalipto, citronela, gerânio, lavanda e cedro — apresentam algum potencial como repelentes para carrapatos, necessitando mais estudos para transformar bons resultados laboratoriais em promissoras experiências de campo”, aponta o Manual sobre Febre Maculosa, do Ministério da Saúde.

Medidas de prevenção contra a doença do carrapato

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Como os repelentes não são infalíveis, a proteção contra o carrapato-estrela deve ser encarada de forma complementar. Para isso, Viani destaca cinco importantes comportamentos que ajudam a evitar as picadas de carrapatos:

  • As áreas de transmissão da febre maculosa devem ser isoladas e a circulação restrita;
  • Trabalhadores rurais e frequentadores de parques e áreas gramadas, nas regiões sabidamente de transmissão, devem usar os repelentes, respeitando as informações do fabricante quanto ao modo de uso e intervalo de repetição;
  • É preciso fazer controle de carrapatos em animais domésticos (cães e cavalos) regularmente, independente da área ser de risco;
  • Em situação de possível exposição aos carrapatos, o ideal utilizar roupas claras para facilitar a visualização, além de calças, botas e blusas longas;
  • O autoexame é fundamental para quem esteve em espaços de pastagens e campos.

Fonte: Pesticide Biochemistry and Physiology e Ministério da Saúde