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EUA registram caso raro de infecção sexual causada por fungo

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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 Stephanie Rossow/CDC
Stephanie Rossow/CDC

Médicos e infectologistas de Nova York relatam a ocorrência de um fungo sexualmente transmissível. Pela primeira vez, foi identificado um paciente, de 30 anos, com uma infecção causada pelo Trichophyton mentagrophytes tipo VII (TMVII) nos Estados Unidos.

Considerado raro e limitado a poucos países do mundo, o fungo é conhecido por causar micose intensa, com erupções cutâneas dolorosas no rosto, na virilha e nos pés. Eventualmente, outras partes do corpo podem ser afetadas.

A infecção fúngica transmitida sexualmente pode ser tratada, segundo os autores do relato de caso publicado na revista JAMA Dermatology. No entanto, o tratamento é longo e pode deixar cicatrizes no paciente.

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Novo fungo nos EUA

Liderado por médicos e pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU), o estudo foca no primeiro caso da infecção fúngica nos EUA. É um homem, de 30 anos, que desenvolveu a doença após uma viagem internacional, com paradas na Inglaterra, Grécia e Califórnia. Até então, existem alguns relatos do tipo na França, mas ele não chegou ao país.

Durante o período de férias, o paciente afirma ter feito sexo com vários parceiros do sexo masculino, confirmando a forma de transmissão. Em partes, essa origem remete ao começo do surto de Mpox entre os anos de 2022 e 2023.

Para confirmar que as lesões eram causadas pelo novo fungo, os médicos realizaram testes genéticos em amostras de pele do paciente. Após o diagnóstico e tratamento, o indivíduo se recuperou.

“Os profissionais de saúde devem estar cientes de que Trichophyton mentagrophytes tipo VII é a mais recente de um grupo de infecções cutâneas graves que já chegou aos EUA”, avisa Avrom S. Caplan, professor assistente de dermatologia na NYU e principal autor do estudo, em nota.

Doenças fúngicas em expansão

De forma paralela, outros fungos próximos geneticamente do Trichophyton mentagrophytes estão se espalhando nos EUA entre homens e mulheres. É o caso do Trichophyton indotineae, identificado originalmente na Índia.

Novamente, este é um tipo de fungo resistente aos medicamentos antifúngicos comuns, sendo necessário o uso de remédios de última geração, como o itraconazol.

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A dificuldade no tratamento é causada pelo fato de que a espécie desenvolveu mutações no código genético que impedem alguns medicamentos de romper a barreira protetora — é como se eles tivessem um escudo protetor muito mais forte que o normal.

“Essas descobertas oferecem uma nova visão sobre como algumas das infecções fúngicas da pele que se espalham pelo Sul da Ásia podem escapar de nossas terapias comuns”, destaca o professor Caplan.

No momento, o consenso é que a saúde pública dos EUA não está em risco por causa da disseminação desses fungos. Entretanto, os profissionais de saúde precisam se atentar para realizar o diagnóstico correto, impedindo eventuais surtos.

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Fonte: JAMA Dermatology e NYU