Estrogênio pode afetar a gravidade da covid-19 em mulheres

Estrogênio pode afetar a gravidade da covid-19 em mulheres

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 15 de Fevereiro de 2022 às 19h06
gpointstudio/envato

Pesquisadores da Suécia e da Finlândia observaram que os níveis do estrogênio em mulheres podem ter alguma relação com a gravidade da covid-19. Para ser mais preciso, mulheres mais velhas, após a menopausa, apresentavam taxas mais baixas do hormônio no organismo e também eram as que mais enfrentavam casos graves da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Publicado na revista científica British Medical Journal (BMJ), o estudo que investigou a relação do estrógeno com a covid-19 foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Umeå, da Universidade de Gotemburgo e da Universidade de Helsinque.

Contração de estrogênio pode ter relação com complicações da covid-19 em mulheres que passaram da menopausa (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

Vale observar que o estudo é apenas observacional e, dessa forma, não pode estabelecer que a baixa concentração de estrógeno é a causa direta de formas graves da covid-19. Isso significa que, sem pesquisas adicionais, o hormônio não deve ser recomendado como estratégia para prevenir a infecção.

"Este estudo mostra uma associação entre os níveis de estrogênio e a morte por covid-19. Consequentemente, medicamentos que aumentam os níveis de estrogênio podem ter um papel nos esforços terapêuticos para aliviar a gravidade da covid-19 em mulheres na pós-menopausa e devem ser estudados em ensaios clínicos randomizados", especulam os autores da pesquisa.

Entenda o estudo sobre o hormônio estrogênio

No estudo, a equipe de pesquisadores usou os dados nacionais da Agência de Saúde Pública da Suécia, incluindo testes positivos para a covid-19, causas de morte e fatores socioeconômicos. No total, foram consideradas 14,6 mil mulheres, entre 50 e 80 anos, diagnosticadas com a doença entre os dias 4 de fevereiro e 14 de setembro de 2020.

Entre elas, 227 (2%) estavam em tratamento contra o câncer de mama e, por isso, usavam remédios que bloqueavam o estrogênio. Além disso, outras 2.500 (17%) realizavam terapia de reposição hormonal (TRH) para aumentar os níveis de estrogênio, a fim de aliviar os sintomas da menopausa.

Em comparação com nenhum tratamento com estrogênio, as chances brutas de morrer em decorrência da covid-19 eram duas vezes maiores para as mulheres em uso de bloqueadores de estrogênio. Do outro lado, o risco de morte era 53% menor entre as mulheres realizavam reposição hormonal quando comparadas com as que não estavam em tratamento. No entanto, a idade e a presença de comorbidades também estavam fortemente relacionadas com os óbitos da doença.

Mulheres contra a covid-19

As descobertas do estudo podem ajudar a explicar o porquê de mulheres terem, em média, um risco menor de infecção grave pela covid-19 do que os homens. Inclusive, a situação se repete em outras infecções virais, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

É possível que o estrogênio tenha um papel importante no organismo que reduza as complicações da infecção, o que é "perdido" em mulheres que passaram pela menopausa e não estão em tratamento de reposição hormonal. Só que mais estudos ainda devem investigar essa questão e isso poderá, no futuro, resultar em novos tratamentos.

Fonte: BMJ  

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