Estados Unidos podem se tornar o novo epicentro do coronavírus, afirma OMS

Por Fidel Forato | 26 de Março de 2020 às 17h47
Reprodução

Há uma nova mudança na direção do novo coronavírus (SARS_CoV-2). Isso porque o primeiro epicentro da COVID-19 foi a China, mais especificamente, a cidade Wuhan. Atualmente, isso fica a cargo da Europa, concentrando-se na Itália e na Espanha. E segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o próximo país a se tornar o novo epicentro são os Estados Unidos, devido a uma aceleração considerável no número de infecções.

A COVID-19 já infectou mais de 69 mil pessoas nos Estados Unidos, segundo dados da Universidade Johns Hopkins, o que tem levado mais autoridades norte-americanas a endossarem recomendações de que os americanos fiquem em casa.

Só na segunda-feira (23), 85% dos novos casos registrados, em todo o mundo, vieram da Europa e dos Estados Unidos, afirma a porta-voz da OMS Margaret Harris. Ainda dessa porcentagem, 40% eram de casos centrados nos EUA.

Número de casos da COVID-19 cresce nos Estados Unidos e ultrapassa os 69 mil registros (Foto: John Angelillo/UPI)  

Quando questionada se os Estados Unidos poderiam se tornar o novo epicentro do coronavírus, Harris afirmou: “Agora estamos vendo uma aceleração muito grande nos casos dos EUA. Portanto, há esse potencial... Ainda não podemos dizer que é o caso, mas o país tem esse potencial”.

"Eles [os Estados Unidos] têm um surto muito grande e que está aumentando em intensidade", completou Harris. No entanto, a porta-voz da OMS identifica alguns sinais positivos no combate da pandemia, como testes mais abrangentes e esforços adicionais para isolar os doentes e rastrear seus contatos imediatos expostos ao vírus.

No mundo e na Itália

Segundo os últimos dados globais da pandemia, já são registrados oficialmente mais de 495 mil casos da COVID-19. Sendo que a maioria absoluta de casos segue sendo da China (cerca de 81 mil), depois da Itália (cerca de 74 mil) e dos Estados Unidos (cerca de 69 mil). Para Harris, novos registros são e serão esperados, diariamente, até que novas medidas de confinamento entrem em vigor para um número maior de países.

Até agora, a Europa tem sido o centro de transmissão com a Itália, o país com o maior número de mortes no mundo que já registra mais de sete mil. Questionada sobre um possível ponto de inflexão no país ao Sul da Europa, Harris comentou: “Há um vislumbre de esperança lá. Nos últimos dois dias, vimos menos casos novos e mortes na Itália, mas ainda é muito, muito cedo."

Quanto aos italianos, parece existir mais um dado problemático, porque nos últimos dias, parece que a COVID-19 está migrando para o Sul da Itália e, não mais se concentrando no Norte, como em Bérgamo, na região da Lombardia.

COVID-10 na Espanha

Quarto país do mundo em número de casos da COVID-19, a Espanha registra mais de 56 mil infecções e não demonstra sinais de que alcançou o pico da doença. Essa é uma importante questão que deve ainda manter a Europa, pelo menos nas próximas semanas, como o epicentro do coronavírus no mundo.

A Espanha também registrou um número recorde de mortes em um dia pelo vírus, com 514 pessoas que faleceram na quarta-feira (25), sendo que no dia anterior foram 462, segundo a OMS. Desde o início da pandemia, mais de quatro mil pessoas foram a óbito pela infecção, principalmente na capital, a cidade de Madri, onde estão registrados o maior número de infecções.

Dada a pressão sem precedentes sobre hospitais, funerárias e crematórios em torno da capital espanhola, uma pista de gelo na cidade foi transformada em um necrotério temporário. Conhecido como o Palacio Hielo, o local recebeu os primeiros caixões na segunda-feira (23). A ideia é que as baixas temperaturas do local protejam os corpos até que as casas funerárias tenham capacidade para realizarem os enterros ou cremações.

Fonte: ReutersCBS e CBN

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