É verdade que usar máscara pode causar asfixia por inalação de gás carbônico?

Por Fidel Forato | 04 de Junho de 2020 às 17h22
Andre Penner/ AP Photo

Na prevenção contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), muitos países e regiões do mundo optaram por tornar o uso das máscaras cirúrgicas, descartáveis e, até mesmo, as de pano obrigatórias para quem for sair de casa. Essa medida impede que mesmo os doentes, sem sintomas da COVID-19, transmitam o vírus nas atividades do dia a dia.

Por se tornar um item obrigatoriamente popular durante a pandemia do coronavírus, as máscaras têm despertado uma série de controvérsias e fake news. É o caso de “afirmações” como a de que o uso prolongado pode causar asfixia por excesso de dióxido de carbono (CO₂) inalado ou ainda causar desmaios. No entanto, de acordo com os especialistas da área de saúde, isso é falso, afinal os materiais são porosos.

Uso contínuo de máscaras não causa asfixia, segundo especialistas (Imagem: Getty Images)

Como funcionam as máscaras?

"A máscara tem que causar uma dificuldade na hora de respirar, porque ela está filtrando o ar. A ideia é que você tenha um tecido, que tenha uma trama com buraquinhos pequenos o suficiente para o ar que a gente precisa respirar atravessar, mas as gotículas de saliva, que soltamos quando falamos e as outras pessoas também soltam, fiquem retidas", explica Atila Iamarino, biólogo e doutor em virologia, nas suas redes sociais.

Isso porque a máscara deve filtrar todo ar que o usuário inspira ou expira, através do seu tecido, que é uma barreira. "Se você estiver respirando com muita facilidade com a máscara é sinal de que ela está mal colocada ou que ela não funciona bem, porque ela não está filtrando", completa Iamarino.

Sobre o risco de se inalar resíduos respiratórios que se acumulam no tecido, o professor de Fisiopatologia da Universidade do Chile, Emilio Herrera, comenta: “Nossos resíduos respiratórios são gases com partículas muito pequenas que atravessam a máscara. O principal resíduo é o dióxido de carbono, cujas partículas também atravessam-na e não se acumulam”.

Sensação de asfixia?

Mesmo que seja impossível alguém ser asfixiado pelo uso das máscaras, é realmente possível ter uma sensação de asfixia ou até mesmo de falta de ar, mas no campo psicológico. “É mais uma sensação de falta de ar, mas é porque não estamos acostumados. Nas indústrias, o uso de máscaras médicas, ou as N95, ocorre durante o dia inteiro de trabalho e não há problema”, fala o médico e acadêmico de Saúde Pública da Universidade Autônoma do México (UNAM), Daniel Pahua

Sobre a sensação, Carlos Pinto, do Instituto Nacional de Saúde de Colômbia, completa: “É verdade que usar uma máscara pode ser chato e incômodo, mas a solução não é deixar de usar essa proteção. Se estiver sentindo falta de ar, você deve considerar outras causas possíveis, como um ataque de pânico, que pode desencadear sensações repentinas de asfixia e falta de ar”.

Mais máscaras

Entre as máscaras disponíveis para a proteção durante a pandemia, as que menos causam dificuldades respiratórias são as de pano. Isso porque a produção desses modelos de tecido, na maioria das vezes artesanais, é menos rigorosa na filtragem do ar. Afinal, seus usuários não estarão em uma sala de cirurgia diretamente expostos ao novo coronavírus, mas, sim, utilizando no transporte público, por exemplo, onde os riscos de contaminação são menores.

Além disso, as máscaras de pano não se enquadram na categoria equipamentos de proteção individual (EPIs), destinados mais para os profissionais de saúde, como as máscaras cirúrgicas. Mesmo assim, e também para ajudar na proteção da população, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta semana a venda desses modelos, de uso não profissional, em farmácias e drogarias. A medida que procura facilitar o acesso da população ao produto de proteção já está valendo.

Fonte: AFP e Anvisa

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