Como é feita a escolha das pessoas que irão testar a vacina da COVID no Brasil

Por Nathan Vieira | 04 de Junho de 2020 às 16h43

A Universidade de Oxford, no Reino Unido, ingressou na terceira fase de testes clínicos de uma vacina contra a COVID-19, e o Brasil foi um dos escolhidos para testar a sua eficácia. No país, duas mil pessoas participarão dos testes, realizados com o apoio do Ministério da Saúde. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) vai coordenar o ensaio clínico no país, e, dentro de poucos dias, dá início ao sistema de recrutamento de voluntários. Nesta etapa, serão selecionados apenas profissionais de saúde ou trabalhadores em atividades de alta exposição ao vírus, como equipes de limpeza de hospitais e motoristas de ambulância.

Trata-se, basicamente, de um teste de fase 3 (que avalia a eficácia do produto) para uma vacina criada a partir de um vírus que causa resfriado em chimpanzés. O que acontece é que o patógeno foi alterado em laboratório e tornado incapaz de se reproduzir em humanos. O fragmento de uma proteína do novo coronavírus é incorporada a ele e atua como antígeno, ou seja, faz o sistema imune se preparar para a chegada do vírus real.

Profissionais da saúde vão testar a vacina experimental contra a COVID-19 produzida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido

O imunizante, que ganhou o nome de ChAdOx1, foi testado em macacos e conseguiu protegê-los de uma pneumonia viral, ainda que não tenha impedido a infecção em si. Depois disso, passou por um estudo de fase 1 no Reino Unido, etapa que avaliou a segurança do produto. A fase 2 (cuja ideia é avaliar a capacidade da vacina de criar uma resposta imune) ainda não foi finalizada, mas isso não impediu o avanço para a fase 3.

De acordo com Lily Yin Weckx, médica que coordena o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), unidade da Unifesp, o processo deve ser muito rápido, e a equipe em questão pretende começar o estudo ainda neste mês. O único detalhe é que não há uma data específica para isso acontecer, pelo menos por enquanto. Enquanto isso, Soraya Smaili, farmacóloga e reitora da Unifesp, diz que o Brasil integrar um teste clínico agora ajuda o país a ter acesso ao produto no futuro.

Vale compreender que o Brasil foi escolhido para testar a vacina experimental por causa do alto número de casos. A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo) trouxe à tona, inclusive, um estudo que aponta o Brasil como o novo epicentro global do coronavírus.

Fonte: O Globo

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