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Dor de cabeça após beber vinho tinto tem causa finalmente revelada

Por| Editado por Luciana Zaramela | 20 de Novembro de 2023 às 14h14

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stokkete/envato
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Nos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram o que leva algumas pessoas a terem dor de cabeça após uma única taça de vinho tinto. A resposta está no flavonoide da uva conhecido como quercetina, que só é nocivo quando acompanhado do álcool.

O interessante é que essas pessoas podem beber “tranquilamente” outras bebidas alcoólicas, como cerveja ou vodka, sem apresentar esse sintoma inconveniente, que parece ser exclusivo do vinho tinto. Até então, a causa dessa dor de cabeça era um mistério.

Vinho e dor de cabeça

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No estudo publicado na revista Scientific Reports, os autores afirmam que os vinhos tintos naturalmente contêm altas quantidades do flavonoide quercetina — isso porque ele está presente em frutas e vegetais, como as uvas. No entanto, dentro de uma bebida alcoólica, ele atrasa o metabolismo do álcool e provoca dores de cabeça em algumas pessoas.

De forma mais precisa, “quando chega à corrente sanguínea, o corpo converte [a quercetina] em glicuronídeo de quercetina”, explica Andrew Waterhouse, químico e um dos autores do estudo, em nota. “Nessa forma, [o composto] bloqueia o metabolismo do álcool”, gerando os sintomas relatados, além de náuseas e rubor (vermelhidão na face), completa.

Nesses casos, o corpo fica intoxicado por acetaldeído — um dos produtos gerados pela quebra do etanol no processo de metabolização, mas que é bastante tóxico e inflamatório — por períodos mais longos que o normal.

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Mais estudos

A boa notícia é que a concentração de quercetina dentro de uma garrafa de vinho tinto varia de acordo com alguns fatores. Por exemplo, o excesso de exposição ao sol durante o amadurecimento das uvas aumenta a concentração desse flavonoide. Então, uvas cultivadas em locais com menor incidência dos raios solares podem provocar menos dores de cabeças em quem têm alta sensibilidade. Alguns processos de produção do vinho também alteram essas concentrações.

Dessa forma, os pesquisadores planejam realizar um novo estudo clínico, buscando entender se a quantidade de quercetina em um vinho tinto muda mesmo o risco de uma pessoa ter dor de cabeça, confirmando os resultados teóricos. Se isso for verdade, será possível lançar blends no mercado específicos para quem têm esse tipo de sensibilidade e a dor de cabeça ficará no passado.

Fonte: Scientific ReportsUniversidade da Califórnia