Crianças devem ser obrigadas a tomar vacina da COVID-19? Cientistas debatem

Por Natalie Rosa | 15 de Setembro de 2020 às 15h10
Reprodução: Leo Fontes/Pixabay

Ainda não há uma data exata de quando a vacina contra a COVID-19 ficará pronta e começará a ser distribuída ao público geral, mas especialistas já estão questionando se a aplicação das doses deve ser obrigatória para as crianças que já vão à escola. Nesta segunda-feira (14), em um estudo publicado na revista médica JAMA Pediatrics, cientistas discutem quais serão os critérios necessários para que as crianças sejam obrigadas a estar imunes.

Nos Estados Unidos, onde o estudo foi conduzido, existem diversas normas referentes a programas de vacinas para crianças serem imunizadas antes de entrar em escolas públicas. De acordo com a pesquisa, existem nove critérios a serem considerados na hora da vacinação obrigatória contra  a COVID-19, veja quais são:

  1. A vacina precisa ser segura e contar com um nível aceitável de efeitos colaterais;
  2. Deve ser eficaz com base na imunogenicidade, a capacidade de gerar resposta imune, e prevenção com base na população;
  3. A vacina deve ser econômica com base em uma perspectiva social assim como outras vacinas usadas para prevenir outras doenças;
  4. Deve ter alguma relação com o aumento da segurança em ambiente escolar;
  5. Deve conseguir prevenir doenças com morbidade e/ou mortalidade em pelo menos algum subconjunto da população;
  6. A vacinação de bebês, crianças ou adolescentes contra a doença precisa trazer a redução do risco de transmissão pessoa a pessoa;
  7.  A vacina precisa ser aceitável para o público geral e a comunidade médica;
  8. Os encargos administrativos de entrega e rastreamento das vacinas precisam ser razoáveis;
  9. Os encargos de adesão à vacina devem ser razoáveis aos pais e cuidadores.
Reprodução: August de Richelieu/Pexels

Sem dúvidas, o critério mais importante para os especialistas é que vacina a ser produzida seja segura para as crianças, sendo esta a prioridade. No caso das vacinas que já são obrigatórias, todas oferecem riscos mais sérios às pessoas mais novas do que em adultos, como o sarampo. Já com a COVID-19 as crianças vêm experienciando sintomas bem mais leves que os adultos, fator que pode pesar na não-obrigação da vacina, ainda que existam exceções de pessoas mais jovens com quadros graves.

Também é de extrema importância analisar o risco de contaminação entre as crianças, ou ainda entre pessoas mais velhas, como os professores. Caso haja esse risco, a vacina deve ser acessível a todas as famílias, havendo a obrigação ou não.

Para que tudo isso seja possível, portanto, a vacina precisa corresponder a esses critérios e, claro, ser realmente efetiva. "A única conclusão lógica é que atualmente sabemos muito pouco sobre a performance de cada vacina contra a COVID-19 candidata ou sobre a epidemiologia do SARS-CoV-2 em crianças para que possamos fazer julgamentos sobre ela ser obrigatória", dizem os pesquisadores no estudo.

Então, o debate vem sendo colocado em pauta ainda muito cedo, pois quanto antes existirem esses critérios, mais rápida será a ação para proteger as crianças e a conter a propagação do coronavírus.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Gizmodo

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