COVID: suplementar vitamina D NÃO ajuda a tratar casos graves, diz novo estudo

Por Nathan Vieira | 02 de Dezembro de 2020 às 20h40
Beverly Buckley / Pixabay

Em meio à pandemia, pesquisas norte-americanas já chegaram a associar o consumo de algumas vitaminas ou nutrientes com uma suposta imunidade contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Enquanto isso, um estudo brasileiro, já associou a falta de vitamina D (ou colecalciferol) no organismo aos casos graves da COVID-19. No entanto, recentemente, pesquisadores da Universidade de São Paulo, Brasil, analisaram 240 pacientes brasileiros hospitalizados com COVID-19 grave entre junho e outubro e descobriram que uma grande dose do nutriente não parece reduzir a gravidade da doença, ao contrário do que os estudos anteriores sugeriram.

Dentre os 240 pacientes brasileiros hospitalizados com COVID-19 grave entre junho e outubro, metade foi designada aleatoriamente a receber uma grande dose única de 200.000 UI de vitamina D3. Enquanto isso, a outra metade recebeu um placebo. Basicamente, 200.000 UI, é equivalente a 500 vezes a quantidade diária recomendada de vitamina D.

Com esse estudo, os pesquisadores descobriram que os pacientes que receberam vitamina D não tiveram nenhuma melhora. Eles passaram a mesma quantidade de tempo no hospital que o grupo do placebo, com a mesma probabilidade de precisar de cuidados intensivos ou tratamento com ventilação. Todos esses resultados servem para entender que a vitamina D pode não ser um tratamento eficaz para o coronavírus grave, de acordo com os pesquisadores. Ao suplementar a vitamina D, os pesquisadores foram capazes de garantir que os pacientes tivessem o nutriente o suficiente no sangue. No entanto, mais pesquisas são necessárias para entender quem pode se beneficiar.

Além disso, existem certas limitações para o estudo. Acontece que os pacientes já tinham desenvolvido casos graves de COVID-19, e os estudos anteriores em torno da relação entre a vitamina D e a doença apontam uma possibilidade de eficácia desde que a vitamina D seja administrada ao paciente precocemente, antes que a doença piore. Já um estudo publicado em outubro apontou que os pacientes com COVID-19 que receberam uma forma altamente potente de vitamina D eram significativamente menos propensos a necessitar de cuidados intensivos. E nenhum deles morreu.

Estudos anteriores apontam uma possibilidade de eficácia se a vitamina D for administrada ao paciente com COVID-19 precocemente (Imagem: Fernando zhiminaicela/Pixabay)

Ainda mencionando estudos anteriores, em setembro cientistas apontaram que pacientes com vitamina D suficiente eram significativamente menos propensos a enfrentar complicações do vírus, como dificuldade para respirar ou inconsciência, enquanto pessoas com deficiência de vitamina D tinham duas vezes mais chances de serem infectadas, o que sugere que o momento do tratamento com vitamina D pode ser um fator de extrema importância.

Durante entrevista ao Business Insider, Dr. Gareth Davies, um pesquisador médico que está entre um grupo de cientistas que tem investigado o papel da vitamina D na prevenção da COVID-19 por meses, sugere que a maioria das pessoas poderia se beneficiar tomando até 4.000 UI de colecalciferol diariamente para manter seus sistemas imunológicos saudáveis.

Para ler o artigo científico dos pesquisadores da USP, acesse aqui.

Fonte: Business Insider

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