COVID-19: testes de antígenos podem ajudar na retomada da economia; entenda

Por Nathan Vieira | 02 de Outubro de 2020 às 20h30
Prasesh Shiwakoti/Unsplash

Os testes para COVID-19 têm tido uma tarefa inprescindível de ajudar a conter a progressão da pandemia. Com isso em mente, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fez algumas análises e apontou que novos testes rápidos de antígenos para detecção do coronavírus têm potencial para facilitar a retomada da economia e ajudar nessa luta. Esses testes identificam proteínas do próprio Sars-CoV-2 e são uma alternativa ao RT-PCR.

Alguns desses testes rápidos de antígenos já contam a aprovação da Anvisa. O objetivo é apresentar resultados em cerca de 15 minutos e oferecer 90% de sensibilidade para detectar positivos e 100% para negativos. Os pesquisadores da UFRJ apontam que, para identificar negativos, os testes de antígenos são tão precisos quanto o PCR, e até mesmo mais simples, uma vez que o swab (cotonete especial) usado para a coleta nasal é menor e mais fino.

Na avaliação do coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, Amílcar Tanuri, esses novos testes realmente constituem um instrumento para que empresas, hospitais e escolas possam funcionar com maior segurança. Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram quatro testes de laboratórios internacionais.

No entanto, a preocupação em torno desses testes é com a disponibilidade deles no Brasil. O que acontece é que a demanda é muito alta em outros países. Para se ter uma ideia, nos EUA, testes de antígenos custam US$ 5 (o equivalente a cerca de R$ 26,25), em comparação com o RT-PCR, que custa no Rio mais de R$ 200.

UFRJ aponta potencial de novos testes rápidos de antígenos (Imagem: Mufid Majnun/Unsplash)

No momento, há 28 testes rápidos de antígenos do Sars-CoV-2 comercializados e 11 em desenvolvimento no mundo. Depois da coleta de uma amostra nasal com o swab, este é inserido numa placa, onde existem substâncias que reagem à presença de antígenos (proteínas) da superfície do coronavírus, e se a pessoa está negativa, aparece uma faixa vermelha na placa. Porém, se é positiva, são duas as faixas. Inclusive, nos EUA já estão disponíveis aplicativos que emitem certificados digitais do resultado.

Esses testes podem detectar proteínas específicas da superfície do vírus, os antígenos. Eles não necessitam de máquinas ou laboratórios para seu processamento. Podem ser realizados em empresas, escolas e hospitais, com resultado em torno de 15 minutos. Os testes de antígenos têm como propósito detectar a infecção ativa. Mostram o presente, assim como os exames moleculares de RT-PCR.

O resultado diz se a pessoa está infectada naquele momento pelo coronavírus. Enquanto isso, os testes rápidos sorológicos detectam anticorpos, isto é, proteínas produzidas pelo sistema de defesa para combater o vírus. Eles mostram que uma pessoa já foi exposta ao coronavírus. Mas são um retrato do passado e não se prestam para a contenção da pandemia.

Fonte: O Globo

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