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COVID-19: há pelo menos 8 tipos diferentes do novo coronavírus pelo mundo

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COVID-19: há pelo menos 8 tipos diferentes do novo coronavírus pelo mundo
COVID-19: há pelo menos 8 tipos diferentes do novo coronavírus pelo mundo

Vírus vivem em constante mutação, e isso não seria diferente para o novo coronavírus (SARS-CoV-2), identificado pela primeira vez no final do ano passado. Desde então, já são pelo menos oito diferentes tipos do vírus da COVID-19 espalhados pelo mundo. Cada um desses novos tipos representa, na verdade, uma cepa diferente do vírus, ou seja, tem algumas pequenas variações genéticas em sua composição.

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Essas variações surgem no processo de reprodução desse coronavírus. Quando o vírus vai se reproduzir, ele usa o material genético da célula para replicar novos patógenos, só que nesse processo, às vezes, a cópia apresenta algumas alterações em relação ao original. É esse processo que recebe o nome de mutação e forma uma nova cepa — o que pode nos levar a pensar que quanto mais pessoas tiverem COVID-19, mais tipos do vírus teremos.

Pesquisa genética

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Para se chegar às conclusões das novas cepas, mais de 2.000 sequências genéticas do vírus foram enviadas dos laboratórios para o banco de dados NextStrain, que mostra a mutação nos mapas, em tempo real. O sistema agrega amostras de todos os continentes, exceto da Antártida — que não tem nenhum caso confirmado ainda.

A análise dessas informações revela que o SARS-CoV-2 sofre uma nova mutação, em média, a cada 15 dias. No entanto, essa informação não deve causar alarde, porque, de acordo com o cofundador da NextStrain, Trevor Bedford, essas mutações captadas são tão pequenas que não tornaram o coronavírus mais letal.

No Brasil mesmo, os dois primeiros casos identificados da COVID-19 tinham vírus com algumas mutações, como comprovaram pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e da USP, ambos em São Paulo, a partir da análise genômica das amostras coletadas.

Mutação como radar

"Essas mutações são completamente benignas e úteis como uma peça do quebra-cabeça para descobrir como o vírus está se espalhando", explica Bedford. Para o pesquisador, as várias linhagens permitem que os dados apontem se a transmissão da virose é generalizada, por exemplo, o que pode informar se as medidas de bloqueio foram eficazes.

Além disso, o professor de medicina e doenças infecciosas da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Francisco, Charles Chiu, lembra que esse banco de dados também fornece informações sobre como o vírus está se movendo nos EUA, como uma espécie de radar do vírus.

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"Os surtos são rastreáveis", avisa Chiu. "Temos a capacidade de fazer o sequenciamento genômico quase em tempo real para ver quais cepas ou linhagens estão circulando", conclui o pesquisador sobre a possibilidade de entender onde o controle e o isolamento social dos pacientes não tem funcionado.

Por exemplo, a maioria dos casos na costa oeste dos Estados Unidos está ligada a uma cepa identificada pela primeira vez no estado de Washington, que fica a apenas três mutações da primeira cepa conhecida. Ou seja, é um grande quebra-cabeça possível de ser montado.

No entanto, Kristian Andersen, professora da Scripps Research, alerta que os mapas montados não revelam um panorama completo da propagação desse vírus. "Lembre-se, estamos tendo uma pequena visão de uma pandemia muito maior", comenta Anderson. “Temos meio milhão de casos descritos agora, mas talvez 1.000 genomas sequenciados. Então, faltam muitas linhagens”, completa, sobre a falta de amostras coletadas perto do número total de casos.

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