Coronavírus: todos os SARS-CoV-2 do mundo cabem numa latinha de refrigerante

Por Nathan Vieira | 11 de Fevereiro de 2021 às 15h00
Breakingpics/Pexels

Da série "perguntas que (quase) ninguém fez": qual seria o volume de todo o coronavírus presente no mundo? Afinal, desde o início de 2020, falamos muito sobre esse grande vilão, que tem atingido pessoas do planeta inteiro. Quem traz a resposta é Christian Yates, professor de Biologia Matemática da Universidade de Bath, do Reino Unido.

Antes de tudo, o professor afirma que é uma aproximação baseada nas suposições mais razoáveis, apenas. Com isso esclarecido, ele conta que calculou quantas partículas SARS-CoV-2 existem no mundo. Para fazer isso, foi necessário saber quantas pessoas estão infectadas.

De acordo com o site de estatísticas Our World in Data, 500 mil pessoas testam positivo para COVID-19 todos os dias. No entanto, sabemos que muitas delas não são incluídas nessa contagem porque são assintomáticas ou optam por não fazer o teste. Usando modelagem estatística e epidemiológica, o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington (EUA) estimou que o número real de pessoas infectadas a cada dia é mais próximo de 3 milhões.

Professor de Biologia Matemática estima o volume das partículas de coronavírus (Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay)

O professor explica que a quantidade de vírus que cada uma das pessoas atualmente infectadas carrega consigo (sua carga viral) depende de há quanto tempo foram infectadas e que, em média, acredita-se que as cargas virais aumentem e alcancem o pico cerca de seis dias após a infecção, e depois disso passam a diminuir.

Para se conseguir o cálculo, também foi necessário entender o número de partículas de vírus que as pessoas abrigam em qualquer ponto durante a infecção. Um estudo não publicado coletou dados sobre o número de partículas de vírus por grama de uma variedade de tecidos diferentes em macacos infectados e aumentou o tamanho do tecido para ser representativo de humanos. Suas estimativas aproximadas para o pico de carga viral variam de 1 bilhão a 100 bilhões de partículas de vírus.

O especialista trabalhou com a extremidade superior das estimativas para obter uma superestimativa do volume total no final. Quando somadas todas as contribuições para a carga viral de cada uma das 3 milhões de pessoas que foram infectadas em cada um dos dias anteriores (assumindo que essa taxa de 3 milhões seja aproximadamente constante), a descoberta foi: há cerca de dois quintilhões (2x10¹⁸ ou dois bilhões de bilhões) de partículas de vírus no mundo.

Se você também é de humanas, já deve ter sentindo aquele frio na barriga de ver um número tão grande. No entanto, o professor ressalta a necessidade considerar que as partículas de SARS-CoV-2 são extremamente pequenas. "As estimativas do diâmetro variam de 80 a 120 nanômetros. Um nanômetro é um bilionésimo de um metro. Para colocar em perspectiva, o raio do SARS-CoV-2 é mil vezes mais fino do que um fio de cabelo humano. Usamos o valor médio para o diâmetro de 100 nanômetros em nosso cálculo", aponta o professor, no portal The Conversation, onde expôs o cálculo.

Para calcular o volume de uma única partícula esférica de vírus, ele usou a fórmula do volume da esfera, e chegou à conclusão de que o volume de uma única partícula de vírus é 523.000 nanômetros³. Multiplicando este volume por aquele número enorme e convertendo em unidades significativas, o professor chegou à seguinte conclusão: um volume total de cerca de 120 mililitros (ml). Só que tem uma questão: as esferas não se compactam perfeitamente. De qualquer forma, mesmo tomando a extremidade superior da estimativa de diâmetro e levando em consideração o tamanho das proteínas, todos os SARS-CoV-2 do mundo ainda não encheriam uma lata de refrigerante!

Todo o coronavírus presente no mundo cabe em uma lata de refrigerante, segundo cálculo (Imagem: gepharts3d/Pixabay)

"É surpreendente pensar que todos os problemas, as perturbações, as dificuldades e a perda de vidas que resultaram no último ano possam constituir apenas alguns goles do que seria, sem dúvida, a pior bebida da história", brinca o professor.

Fonte: The Conversation

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