Ministério da Saúde muda critérios para notificação da COVID-19

Por Fidel Forato | 25 de Junho de 2020 às 17h40
Reprodução/ BBC

Com aumento de infectados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) no Brasil, o Ministério da Saúde anunciou ontem (24) novos critérios para definição de casos da COVID-19. Agora, além dos exames laboratoriais já adotados e em algumas regiões de difícil acesso, há outras formas para a validação. Um exemplo é o de pessoas assintomáticas que podem ser confirmadas caso anticorpos para o vírus sejam encontrados no seu organismo.

A seguir, confira em quais situações pacientes suspeitos da COVID-19 poderão ter o diagnóstico confirmado para a doença respiratória, sem a necessidade dos exames, segundo o Ministério da Saúde:

  • Paciente com síndrome gripal (SG) ou síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com contato próximo ou domiciliar com alguém confirmado com teste laboratorial;
  • Casos ou mortes por SG e SRAG que não houve confirmação ou descarte da possibilidade de infecção por teste laboratorial e que tenham determinadas alterações mostradas nas tomografias;
  • Pessoas com SG ou SRAG associados à perda de gosto ou olfato sem que estes sintomas tenham outra causa pregressa;
  • Pessoas assintomáticas que tenham tido teste laboratorial positivo ou exame imunológico pelo método ELISA ou detecção de anticorpos.

De acordo com o ministério, os novos critérios devem facilitar o diagnóstico e, dessa forma, acelerar o tratamento dos doentes. Além disso, a ideia é que a alteração consiga estabelecer medidas de prevenção e diminuir a transmissão do coronavírus, de maneira mais ágil, sem a necessidade de se aguardar a confirmação pela testagem.

“Eu tenho parâmetro clínico para confirmar. Não é excludente com exames. É um somatório de coisas que ajudam o manejo clínico laboratorial do paciente com síndrome gripal com perspectiva da COVID-19”, defendeu o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, em coletiva de imprensa.

Meta: mais testes

Na ocasião, o Ministério da Saúde também relançou o programa de testagem para o novo coronavírus, o Diagnosticar para Cuidar. A partir dessa iniciativa, a pasta tem a meta de atingir 46 milhões de unidades de exames para COVID-19, alcançando 22% da população brasileira. Desse total, 24,5 milhões devem ser os do tipo RT-PCR, realizado com amostras da flora do sistema respiratório. Esse método identifica o próprio coronavírus e é aplicado em pacientes até oito dias após a manifestação dos primeiros sintomas.

Ministério investe em mais de 20 milhões de exames do tipo RT-PCR (Foto: reprodução/ USA Today)

Quanto à distribuição, até agora, 11,5 milhões de kits desse tipo de exame foram recebidos pelo Ministério. Destes, 3,8 milhões chegaram aos laboratórios definidos para analisar as amostras. No entanto, apenas 860 mil testes foram realizados. O secretário de Vigilância em Saúde justificou a diferença entre as unidades recebidas pelo Ministério da Saúde e as efetivamente executadas pelas dificuldades de abastecimento dos insumos.

“Tivemos alguns problemas ao longo do programa, inclusive de oferta de insumos. Houve época que não tínhamos disponibilidade de tubos por conta do próprio processo da demanda mundial com relação a isso. Havia outra questão que era capacitação tecnológica dos laboratórios em fazer a testagem molecular. Fomos vencendo etapas e hoje temos condições de avançarmos nesta testagem para nossa população”, declarou Medeiros.

Testagem de anticorpos

Ministério da Saúde irá utilizar mais de 20 milhões de testes rápidos para identificar pacientes da COVID-19 (Foto: Andrew Kelly/Reuters)

Da meta de 46 milhões de testes do programa, 22 milhões serão no formato sorológico, também conhecidos como testes rápidos (aqueles que também são vendidos em farmácias). Diferente do RT-PCR, esses captam os anticorpos no paciente a partir do oitavo dia da manifestação dos sintomas, ou seja, não funcionam para o diagnóstico em tempo real da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento foram distribuídas 10 milhões de unidades, com 1,5 milhão já processadas.

"Na perspectiva de que, nas últimas semanas, a gente via que a doença caminhava para o interior, existe uma população brasileira que está nos municípios que precisa ser assistida e diagnosticada nesta fase em que temos quantitativo pequeno de número de casos podemos cuidar fazendo este diagnóstico”, concluiu Medeiros sobre a importância dos testes.

Fonte: Agência Saúde

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