Coronavírus híbrido? Duas variantes do vírus da COVID se fundem nos EUA

Coronavírus híbrido? Duas variantes do vírus da COVID se fundem nos EUA

Por Fidel Forato | 17 de Fevereiro de 2021 às 20h40
Fernando Zhiminaicela/Pixabay

Com a alta circulação do coronavírus SARS-CoV-2, pesquisadores investigam e acompanham a evolução do agente infeccioso da COVID-19 pelo mundo, o que é esperado pela ciência. Nesse cenário, uma análise identificou a fusão de duas variantes nos Estados Unidos, ou seja, dois vírus com mutações diferentes se juntaram em um único, formando um híbrido.

Este caso de recombinação foi descoberto em uma única amostra coletada de um paciente na Califórnia e, até o momento, pesquisadores não têm mais detalhes sobre as possíveis complicações dessa fusão. O híbrido foi resultado da recombinação da variante B.1.1.7, descoberta no Reino Unido e conhecida por ser mais transmissível, e da variante B.1.429, que se originou na própria Califórnia e que pode ser mais resistente a alguns anticorpos.

Pesquisador aponta que duas variantes do coronavírus se fundiram nos EUA (Imagem: Reprodução/ Wirestock /Freepik)

Fusão de variantes do coronavírus

Este primeiro coronavírus recombinante foi identificado pela pesquisadora Bette Korber no Laboratório Nacional de Los Alamos, localizado no estado norte-americano do Novo México. Durante uma reunião organizada pela Academia de Ciências de Nova Iorque, no dia 2 de fevereiro, Korber alertou que havia identificado evidências "bastante claras" dessa fusão em seu banco de dados de genomas virais.

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A situação identificada se difere dos casos em que ocorre apenas uma mutação regular do agente infeccioso, onde as mudanças ocorrem uma de cada vez, como aconteceu com a variante do Reino Unido, por exemplo. Nos casos de recombinação, o coronavírus resultante pode reunir diferentes mutações de uma única vez. No entanto, é importante esclarecer que essa situação não é necessariamente uma vantagem para o vírus.

O que significa a recombinação?

De forma geral, a recombinação ocorre durante o processo de reprodução do coronavírus, dentro das células do hospedeiro. O mais provável é que o caso dos EUA tenha ocorrido em um paciente que apresentasse um caso de coinfecção pelo coronavírus, ou seja, a pessoa carregava simultaneamente duas variantes diferentes do agente infeccioso (a britânica e a californiana). Dessa forma, as diferentes informações genéticas, na hora da replicação, podem ter se misturado e originaram o vírus híbrido.

De acordo com a pesquisadora François Balloux, da University College London, a recombinação pode ser de grande importância evolutiva em algumas circunstâncias. Isso porque se acredita que o primeiro coronavírus SARS-CoV-2 tenha se originado a partir de uma recombinação entre dois coronavírus, em um animal silvestre. Dessa forma, a fusão recém-descoberta pode, inclusive, significar a formação de um novo vírus, o que não parece ser o caso.

Além disso, não se sabe ainda se essa nova variante híbrida pode ser transmitida de pessoa para pessoa, conforme acontece com as outras cepas. Afinal, esta pode ter sido uma mutação negativa e que impedirá a invasão das células humanas saudáveis, por exemplo. Nesse caso, o coronavírus se restringirá ao hospedeiro que deu origem a essa formação. Para mais análises, será necessário acompanhar a cepa e, principalmente, identificar outros pacientes contaminados com ela.

Fonte: NewScientist  

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