BR registra 1ª morte por recorrência da COVID-19, aponta estudo

Por Fidel Forato | 17 de Fevereiro de 2021 às 17h20
HwangMangjoo/Rawpixel

Primeiro caso de morte por recorrência do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é confirmado em Aracaju, no estado de Sergipe. Vítima da COVID-19, o paciente tinha 44 anos e era farmacêutico, segundo estudo apresentado por pesquisadores de nove instituições, entre elas, a Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Para detalhar o caso até então inédito no Brasil, os pesquisadores publicaram o estudo, na última sexta-feira (12), no Journal of Infection. No entanto, não se sabe se o paciente foi vítima de uma reinfecção do coronavírus ou de uma recidiva — quando um agente infeccioso de uma mesma infecção volta a atacar o organismo do paciente.

Pesquisa do Sergipe confirma primeiro óbito por recorrência da COVID-19 no Brasil (Imagem: Reprodução/ Pete Linforth/Pixabay )

Entenda o caso

O homem era farmacêutico dentro de um hospital de urgência na capital, onde provavelmente contraiu a infecção pelo coronavírus. No dia 8 de maio de 2020, o paciente testou positivo para a infecção pela primeira vez, de acordo com o resultado de seu teste RT-PCR — exame considerado o padrão ouro para a COVID-19. Na época, o paciente relatou apenas sintomas leves e, em menos de 15 dias, ele voltou ao trabalho, sem necessidade de internação.

Após um mês da recuperação, o paciente apresentou novos sintomas da infecção por coronavírus. No dia 13 de junho, testou positivo em um segundo teste RT-PCR, o que confirmou a presença do vírus no seu organismo. Na segunda vez, a diferença foi a gravidade da infecção, já que o seu quadro era mais severo. Dessa forma, o paciente foi internado e veio a óbito no dia 2 de julho.

"É um resultado importante porque o vírus está associado à morte numa recorrência. No primeiro episódio foi um caso bem leve. Ele voltar a apresentar sintomas da doença nesse intervalo já é algo incomum, e com o desfecho morte é inédito", comentou o chefe do Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular do Hospital Universitário de Sergipe, Roque Pacheco de Almeida, para o Uol.

De acordo com Almeida, não é possível saber se o caso se trata de uma recidiva ou de uma reinfecção pelo coronavírus, porque não foi possível isolar o agente infeccioso da primeira amostra de maio. Em outras palavras, não é possível comparar e verificar se eram duas cepas diferentes ou a mesma.

Independente disso, o óbito se distancia do cenário em que é, normalmente, esperado do comportamento da COVID-19. "Pelo que conhecemos do vírus, quando há morte pela COVID-19 é no primeiro episódio, nunca no segundo", explicou o médico Pacheco.

Reinfecção da COVID-19 em SE 

O estudo também traz o relato de mais de outros 30 casos de recorrência da COVID-19, diagnosticados em profissionais da saúde que atuam em Sergipe. Inclusive, foram detalhados casos confirmados de reinfecção. No entanto, nenhum outro quadro evoluiu para o óbito do paciente, como aconteceu com o farmacêutico.

Por outro lado, foi descrito um caso de reinfecção por linhagens diferentes do coronavírus no Brasil, ocorrido em julho de 2020. Até então, o primeiro caso oficial de reinfecção notificado pelo Ministério da Saúde teria sido diagnosticado apenas no dia 23 outubro de 2020, no estado do Rio Grande do Norte.

Para acessar o estudo completo, publicado no Journal of Infection, clique aqui.

Fonte: Uol  

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