Coronavírus | Gotículas de saliva infectadas ficam no ar por até 14 minutos

Por Nathan Vieira | 15 de Maio de 2020 às 15h50
Reprodução

Na última quinta-feira (15) a National Academy of Sciences trouxe à tona um estudo referente ao coronavírus, mais precisamente sobre o contágio que acontece durante o simples ato de conversar, já que ao falar, o ser humano inevitavelmente expele gotículas de saliva, e elas podem estar infectadas pelo vírus — mesmo que a pessoa em questão não apresente nenhum sintoma.

O estudo constata que a fala pode emitir milhares de gotículas por segundo, e que em um ambiente fechado e de ar estagnado, elas desaparecem apenas depois de 8 a 14 minutos. Segundo os cientistas, embora se reconheça que vírus respiratórios, como o coronavírus, possam ser transmitidos por gotículas geradas pela tosse ou espirro, é menos conhecido que a fala também produza essas milhares de gotículas. Altas cargas virais de SARS-CoV-2 foram detectadas em fluidos orais de pacientes que testaram positivo para COVID-19, incluindo os assintomáticos.

A ventilação da sala, o espaço aberto, a higienização do vestuário de proteção e o uso e desinfecção adequados dos banheiros podem ajudar a reduzir a propagação de gotículas. Em dois hospitais em Wuhan, os pesquisadores encontraram mais aerossóis de coronavírus nos banheiros dos pacientes e nos vestiários dos médicos, mas havia menos aerossóis em enfermarias de isolamento e salas de pacientes com boa ventilação e higienização completa. "Nossos resultados indicam que a ventilação da sala, o espaço aberto, a higienização do vestuário de proteção e a desinfecção adequada das áreas dos banheiros podem efetivamente limitar a concentração do SARS-CoV-2 nos aerossóis", aponta o estudo.

Gotículas de saliva infectadas ficam no ar por até 14 minutos, segundo estudo norte-americano

A vida útil do vírus também varia, dependendo do tipo de superfície em que está, temperatura e umidade.

Quanto às viagens aéreas, é provável que o oxigênio a bordo dos aviões seja de qualidade superior ao ar da sua casa, por exemplo. Segundo o estudo, se há uma pessoa infectada na frente do avião e você está na parte de trás, seu risco é próximo de zero — simplesmente porque se pensa que a área de exposição está a aproximadamente um metro e meio da pessoa infectada.

A boa notícia: a velocidade final de uma gota de coronavírus diminui conforme o diâmetro, concluiu o último estudo. “Uma vez no ar, as gotículas geradas pela fala se desidratam rapidamente devido à evaporação, diminuindo de tamanho e retardando sua queda”. A duração do discurso, a idade da pessoa que está falando e a desidratação da cavidade oral durante a respiração também desempenham um papel importante que pode afetar as características das partículas suspensas no ar.

Fonte: PNAS

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