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Como granjas de aves ajudam a tornar bactérias mais resistentes

Por| Editado por Luciana Zaramela | 22 de Janeiro de 2024 às 13h07

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tawatchai07/Freepik
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Após analisar amostras biológicas de 10 granjas frangos e quatro matadouros na China, uma equipe internacional de cientistas descobriu que as bactérias evoluem de forma conjunta nos animais que recebem altas doses de antibióticos, o que contribui para aumentar a resistência antimicrobiana — é a perda de eficácia dos remédios disponíveis, porque os patógenos estão mais resistentes.

Publicado na revista científica Nature Communications, o estudo sobre o impacto dos métodos de criação de animais envolveu a análise conjunta de duas bactérias: Escherichia coli e Salmonella enterica.

Algumas cepas dessas bactérias já podem apresentar altos níveis de resistência aos remédios atuais, especialmente a E. coli. Também podem ser facilmente transmitidas aos seres humanos, causando intoxicação alimentar (nos casos mais leves). 

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Vale ressaltar que, independente dessa pesquisa, cientistas já sugerem que o patógeno responsável pela próxima pandemia pode surgir em uma granja

Evolução das bactérias em granjas

Na criação de aves, é comum o uso de antibióticos de amplo espectro administrados para reduzir as perdas de produção, ou seja, o adoecimento das aves, de forma preventiva. É isso que torna este espaço um local ideal para a evolução bacteriana, já que as cepas mais fracas morrem com os remédios, mas as mais fortes são constantemente selecionadas.

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Pela primeira vez, os pesquisadores analisaram como essas duas bactérias coexistem em um mesmo microbioma, como o intestino das galinhas.

Segundo os autores, ali, os patógenos "compartilham" material genético, disseminando mutações associadas à resistência antimicrobiana, através dos elementos genéticos móveis (mobiloma), dentro do mesmo hospedeiro, como uma ave. 

Basicamente, esses elementos genéticos móveis são moléculas compostas por material genético que podem "pular" das células de uma bactéria para outra, integrando-se ao genoma e conferindo novas “habilidades”.

Aumento da resistência antimicrobiana

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Na análise das amostras, foi possível perceber que, quando a E. coli e S. enterica vivem juntas, o risco de ambas as cepas terem características relacionadas com a resistência é maior. Isso não ocorre na mesma intensidade quando estão isoladas.

Diante dessa descoberta, a hipótese é que outras bactérias (não analisadas pelo estudo) compartilhem do mesmo mecanismo, o que torna a resistência aos antibióticos um problema ainda mais generalizado. No entanto, estudos complementares ainda são necessários.

Fonte: Nature Communications e Universidade de Nottingham