Como fica a imunidade com a quarta dose da vacina contra a covid-19?

Como fica a imunidade com a quarta dose da vacina contra a covid-19?

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 16 de Abril de 2022 às 09h00
Rido81/Envato

A quarta dose da vacina contra a covid-19, ou seja, a segunda de reforço, já vem sendo aplicada no Brasil há alguns meses — a princípio, em pessoas imunossuprimidas, como pacientes em tratamento de câncer, hemodiálise e diabetes, e, a depender do estado, também em idosos. O calendário dessa dose vem na cola da variante BA.2, da Ômicron, que tem se espalhado pelo mundo ultimamente.

Mas como funciona a imunidade gerada pela vacina? E mais, quando é a melhor hora para tomar as doses de reforço? Dados indicam que os níveis de anticorpos no sangue, responsáveis pela defesa contra infecções, começam a declinar quatro meses após tomar o reforço. As células T, linfócitos que nos protegem de doenças graves, também diminuem em quantidade nesse período. Não há, no entanto, consenso médico acerca do melhor momento para tomar a vacina.

A quarta dose da vacina já é indicada para imunossuprimidos e idosos em alguns estados brasileiros: quando tomar? (Imagem: oneinchpunchphotos/envato)
A quarta dose da vacina já é indicada para imunossuprimidos e idosos em alguns estados brasileiros: quando tomar? (Imagem: oneinchpunchphotos/envato)

Duração dos anticorpos

Não é segredo que os anticorpos gerados pelas doses de vacinas contra a covid nos protegem de fato: dados mostram que quem tomou a terceira dose tem o risco de hospitalização reduzido em 90%, mesmo meses após se vacinar. Após três ou quatro meses, apesar da queda nos anticorpos, a proteção ainda é bastante eficiente: durante a onda da variante Delta, os vacinados com três doses tiveram uma eficiência contra necessidades emergenciais de 97% na janela de dois meses do imunizante, que caiu para 89% após quatro meses. Os dados são do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos EUA.

Na onda da variante ômicron, os dados se mantiveram altos: a hospitalização foi reduzida em 91%, nos dois meses seguintes após a terceira dose, 78% após quatro meses. Outros estudos, como o do periódico Lancet, viram quedas nos anticorpos de dois a três meses após a segunda dose. Os cientistas, no entanto, não têm certeza sobre qual anticorpo específico poderia ter seu nível ligado a uma boa proteção contra infecções.

De modo geral, níveis altos de qualquer anticorpo são bons indicativos, e mesmo após os meses de declínio da imunização pelas doses, a maioria das pessoas que tomaram o reforço continua salva de casos mais graves da infecção pela covid, hospitalização e morte. O nível em que os anticorpos decaem tem a ver com idade, gênero — homens têm um declínio mais acelerado — e condições imunossupressoras. Há alguns casos, no entanto, em que pessoas com até 100 anos tinham níveis de anticorpos muito duradouros, sinalizando outros fatores.

As células T, que cuidam da proteção contra doenças mais graves e morte, duram bastante tempo, sendo efetivas contra variantes do SARS-CoV-2, inclusive a Ômicron, seis meses após a vacinação, segundo especialistas. Seus níveis também caem um pouco de três a quatro meses após a terceira dose, mas não de forma acentuada. O problema é que é mais difícil de detectar esses linfócitos no corpo, já que eles não ficam circulando no corpo como os anticorpos mais comuns — eles surgem quando o corpo detecta infecções, ressurgindo e agindo rapidamente.

Os anticorpos contra a covid continuam evitando hospitalizações e mortes mesmo após três ou quatro meses da vacina (Imagem: Reprodução: Freepik)
Os anticorpos contra a covid continuam evitando hospitalizações e mortes mesmo após três ou quatro meses da vacina (Imagem: Reprodução: Freepik)

Quando tomar as doses de reforço?

A parte mais discutida pelos especialistas é a de quando tomar a quarta dose, ou qualquer dose de reforço. Otto Yang, professor de medicina e doenças infecciosas da David Geffen School of Medicine, UCLA, defende que devemos nos imunizar o quanto antes. Segundo ele, apesar de quedas nos números de infecções, o vírus ainda circula, e você não quer ter uma imunidade baixa caso se exponha à covid, especialmente se estiver em algum grupo de risco.

Se vacinar rapidamente pode, inclusive, ajudar a prevenir ondas futuras. O reforço também é recomendado porque precisamos de altos níveis de anticorpos para lutar contra novas variantes, que são estruturalmente diferentes da cepa original e requerem mais atenção do corpo.

Há, no entanto, especialistas como Monica Gandhi, especialista em doenças infecciosas da University of California, que apostam mais nas doses de reforço em ondas futuras do vírus, para que o corpo tenha os níveis mais altos possíveis de anticorpos nesses momentos, especialmente se você é vulnerável. Com especialistas acreditando que a covid-19 se tornará uma doença sazonal, pode ser que tenhamos de tomar doses de reforço todo ano.

Em termos de cuidado pessoal, o melhor a se fazer é conversar com o seu médico — grande parte da população já estará protegida o suficiente de reações mais graves após a terceira dose, mas idosos, imunossuprimidos e outras pessoas com comorbidades têm mais riscos à saúde, então o aconselhado é procurar um profissional que possa avaliar os benefícios de tomar a quarta dose agora, ou esperar para um momento mais oportuno.

Fonte: HuffPost

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