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Como é feito o exame para diagnóstico de febre maculosa?

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Koldunov/Envato
Koldunov/Envato

O diagnóstico de febre maculosa nem sempre é simples, já que a infecção pela bactéria da família Rickettsia pode ser confundida com outras doenças durante a fase inicial dos sintomas. Inclusive, uma das confusões mais comuns é com a dengue. Sabendo disso, os exames e testes para a doença do carrapato se tornam ainda mais importantes.

Outro fator fundamental no diagnóstico da febre maculosa é o histórico do paciente nas últimas semanas. Por exemplo, quem viaja para áreas rurais ou mesmo locais com grama alta deve informar isso ao médico. Picadas de carrapato, mesmo que não se saiba dizer qual foi a espécie, são sinais de alerta, especialmente em áreas endêmicas, como a região de Campinas, no interior de São Paulo. É preciso estar atento aos possíveis sinais e sintomas da doença, capaz de afetar até o sistema nervoso.

Como é feito o diagnóstico da febre maculosa?

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"O diagnóstico da febre maculosa é geralmente realizado a partir do teste sorológico [com amostras de sangue], mais espe­cificamente pela reação de imunofluorescência indireta”, explica Elba Lemos, pesquisadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), para a Agência Fiocruz.

Como este é um exame sorológico, o objetivo é identificar anticorpos que “atacam” a bactéria da família Rickettsia, circulando no sangue do paciente. Só que as células de defesa levam alguns dias para serem produzidas pelo corpo, então, faz pouco sentido alguém testar um dia após ter ido a uma fazenda, por exemplo.

“Em geral, os anticorpos são detectados a partir do sétimo ao 10º dia da infecção”, afirma o Manual do Ministério da Saúde sobre a Febre Maculosa. Nesses casos, os anticorpos IgG são os mais específicos para o diagnóstico.

Quando fazer o teste para a febre maculosa?

Segundo a pasta, o diagnóstico para febre maculosa é feito pelo aparecimento dos anticorpos específicos contra a doença transmitida pelo carrapato-estrela, sendo que eles aumentam conforme a doença avança.

Neste cenário, a Saúde orienta que se deve coletar “a primeira amostra de soro nos primeiros dias da doença (fase aguda) e a segunda de 14 a 21 dias após a primeira coleta”. O aumento na quantidade de anticorpos confirma a doença, através do método considerado o padrão-ouro para a infecção bacteriana.

Mais testes para o diagnóstico da doença do carrapato

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Embora o exame sorológico seja o mais comum para o diagnóstico da febre maculosa, existem mais alternativas. “Outro teste disponível para o diagnóstico, porém menos utilizado, é a análise molecular a partir da Reação em Cadeia pela Polimerase (PCR) que permite detectar a presença do material genético da bactéria”, afirma a cientista.

"Recomendado especialmente em casos graves e óbitos, este teste deve ser realizado na fase inicial da doença, quando anticorpos anti-Rickettsias ainda não são detectados”, acrescenta a especialista.

Para o PCR, podem ser usados diferentes tipos de amostras, como crosta das manchas, sangue ou ainda tecidos coletados na necrópsia. “Normalmente, amostras contendo células endoteliais (exemplo: pele, órgãos internos) apresentam maior sensibilidade diagnóstica, uma vez que as riquétsias patogênicas se multiplicam principalmente nessas células”, detalha o Ministério da Saúde.

Quem faz os testes da febre maculosa?

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No Brasil, apenas laboratórios credenciados realizam os exames de febre maculosa. Entre eles, um importante centro é o Serviço de Referência para Rickettsioses no Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Outra referência é o Instituto Adolfo Lutz (IAL), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que está analisando todos os casos da doença do carrapato na região de Campinas no surto em andamento.

Fonte: Ministério da Saúde e Fiocruz