Como é a sensação de morrer? Eis o que a ciência descobriu até agora

Como é a sensação de morrer? Eis o que a ciência descobriu até agora

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 20 de Janeiro de 2022 às 13h30
Julia Kadel/Unsplash

Já parou para pensar em como é a sensação de morrer? Sabemos que a morte (e principalmente o que acontece depois dela) é um verdadeiro mistério, mas a ciência reserva algumas respostas para a forma como o corpo humano se comporta em seus últimos momentos.

A medicina divide a morte em duas opções: a clínica, que ocorre com a falha do sistema cardiovascular, de modo que os órgãos param de ser supridos com oxigênio e nutrientes; e a cerebral, com a falha do cérebro, cerebelo e tronco cerebral. No primeiro caso, os médicos costumam tentar a famosa reanimação cardiopulmonar. O segundo caso já é um pouco mais delicado: embora certas células cerebrais ainda possam estar ativas, a "consciência" já foi perdida.

Como o corpo reage à morte?

O processo de morte é acompanhado por uma série de sensações. A primeira coisa que os cientistas notaram é que os batimentos cardíacos ficam cada vez mais lentos, conforme a pressão arterial cai, a pele esfria e as unhas escurecem.

Com a queda de pressão, os órgãos funcionam cada vez menos. Enquanto isso, a respiração segue padrões automáticos gerados pelo centro respiratório no tronco cerebral. As pessoas que estão morrendo respiram profundamente, fazendo ruídos através da saliva no fundo da garganta. Eventualmente a respiração fica mais lenta e se torna muito superficial, até cessar.

Já no que diz respeito à consciência, pesquisas mostram que, mesmo perto da morte, o cérebro responde aos ruídos do ambiente a seu redor. Ainda assim, não se sabe quanto sentido as vozes de conhecidos fazem para uma pessoa que está morrendo, por exemplo.

Qual a sensação de morrer? Apesar de ainda ser um grande mistério, a morte já tem algumas respostas da ciência (Imagem: Stephen Andrews/Unsplash)

Post mortem

Leva cerca de duas horas para que o corpo fique completamente rígido, o que ocorre por falta de produção de adenosina trifosfato (ATP), a principal molécula transportadora de energia nos seres vivos. Sem essa molécula, os músculos ficam completamente rígidos. Trata-se de um sinal chamado rigor mortis, costumeiramente utilizado pela ciência forense para reconhecer uma morte. Depois de 72 horas, aproximadamente, os músculos relaxam novamente.

Por sua vez, o trato gastrointestinal leva dois a três dias para morrer, e as bactérias que fazem parte dele aceleram a decomposição do corpo. Patógenos, no entanto, podem viver por vários dias em um cadáver, motivo que leva a todo um cuidado com o enterro de vítimas da covid-19, por exemplo. Os tecidos começam a se liquefazer após um mês da morte, e, no total, o processo de decomposição do corpo humano leva cerca de 30 anos.

Fonte: Science Focus, DW, Live Science

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