Cientistas usam partículas magnéticas para controlar células cerebrais

Cientistas usam partículas magnéticas para controlar células cerebrais

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 24 de Fevereiro de 2022 às 14h29
keybal/envato

Em estudo publicado na revista Advanced Science, pesquisadores da University College London (UCL) compartilharam uma nova técnica que usa partículas magnéticas para ativar células cerebrais remotamente, com a intenção de ajudar no futuro desenvolvimento de tratamentos para distúrbios neurológicos.

Nessa técnica, as partículas magnéticas são anexadas a astrócitos — células do sistema nervoso central posicionadas entre os vasos sanguíneos do cérebro e as células nervosas, fornecendo suporte aos neurônios. A ideia dos pesquisadores é explorar a invenção para estudar a função dessas células em busca de terapias eficazes para a epilepsia e para o acidente vascular cerebral (AVC).

Os autores do artigo ressaltam que o método acontece sem que seja necessário introduzir nenhum dispositivo ou gene estranho no cérebro. Para que o experimento — que foi realizado em roedores — desse certo, a equipe revestiu as partículas magnéticas com um anticorpo que facilita a ligação aos astrócitos. As partículas foram então injetadas no cérebro do roedor.

Cientistas usam partículas magnéticas para controlar células cerebrais (Imagem: MappingTheory/Envato)

Um diferencial dessa nova tecnologia é que as partículas brilham durante uma ressonância magnética, assim a equipe médica pode rastrear sua localização e atingir partes muito específicas do cérebro para obter um controle preciso da função cerebral.

"As partículas aproveitam a notável sensibilidade ao toque de certas células cerebrais, portanto, não é necessária modificação genética nem implantação de dispositivos, o que torna [a ténica] uma candidata promissora como terapia alternativa e menos invasiva em comparação com as técnicas de estimulação cerebral profunda atuais, que contam com a inserção de eletrodos no cérebro", concluem os envolvidos no estudo.

Fonte: Advanced Science

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