Cientistas do MIT dizem ter inventado tratamento que reverte perda auditiva

Cientistas do MIT dizem ter inventado tratamento que reverte perda auditiva

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 12 de Abril de 2022 às 15h19
Rido81/Envato

Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que também comandam a empresa de biotecnologia Frequency Therapeutics, afirmam ter desenvolvido uma nova modalidade de terapia regenerativa que reverte a perda de audição — sem implantes cocleares ou outros tipos de auxílio externo.

A novidade envolve células progenitoras, que são capazes de se transformar em qualquer outra célula, como as células-tronco, com a diferença de que elas se dividem um número limitado de vezes. A equipe as usa para fazer crescer células ciliadas, que normalmente não se regeneram: o tratamento traz ao menos uma quantidade delas de volta, o que devolve um pouco da audição ao paciente.

Regeneração celular das células ciliares, como visto na parte rosada, antes (à esquerda) e depois (à direita) (Imagem: Hinton A.S., Yang-Hood A. et al)
Regeneração celular das células ciliares, como visto na parte rosada, antes (à esquerda) e depois (à direita) (Imagem: Hinton A.S., Yang-Hood A. et al/Neuroscience News)

Melhoras auditivas

As células ciliadas, responsáveis pela percepção do som, vão morrendo com o tempo, sob exposição a barulhos excessivamente altos ou com certos tratamentos, como quimioterapia e alguns tipos de antibiótico, e não crescem de volta. A regeneração delas pelas células progenitoras, alvo da pesquisa, demonstrou uma melhora dos pacientes em sua habilidade de compreender a fala. Segundo Chris Loose, co-fundador e CEO da Frequency, empresa envolvida no estudo, a capacidade de entender a fala é o objetivo número um da melhora na audição, e prioridade dos pacientes que procuram tratamento.

As melhoras foram notadas, em alguns participantes, após uma única injeção no ouvido interno, sendo que algumas respostas viram uma melhoria que durou até quase dois anos. Mais de 200 pacientes já receberam a dose, e melhoras na percepção da fala foram vistas em três estudos clínicos diferentes. Um estudo não mostrou melhoras na audição em comparação com o grupo que recebeu placebo, mas, segundo a companhia, isso é resultado de falhas no design do teste.

A companhia está, atualmente, recrutando pessoas para um teste com 124 sujeitos, que deve ter resultados preliminares no início do ano que vem. Pesquisas da equipe conseguiram usar moléculas para converter células progenitoras em centenas de células foliculares em laboratório em 2012. Normalmente, elas só são geradas no útero, na casa de 15.000 em cada cóclea. O novo método é bem mais simples e rápido do que terapias genéticas convencionais, que coletam células do próprio paciente e as reprogramam em laboratório.

A melhoria com o tratamento envolvendo células progenitoras é mais rápida e simples do que métodos como o implante coclear (Imagem: Wavebreakmedia/Envato)
A melhoria com o tratamento envolvendo células progenitoras é mais rápida e simples do que métodos como o implante coclear (Imagem: Wavebreakmedia/Envato)

Jeff Karp, co-fundador da Frequency e membro da faculdade de Ciências da Saúde e Tecnologia da MIT-Harvard, afirma que vê um futuro promissor: ele não se surpreenderia se, em 10 ou 15 anos, com recursos suficientes investidos, o tratamento auditivo se tornasse tão simples quanto a cirurgia a laser nos olhos. O paciente poderia entrar no consultório e, em uma ou duas horas, sair ouvindo bem melhor.

Outros tratamentos sendo atualmente desenvolvidos pela empresa incluem um medicamento para esclerose múltipla, doença onde o sistema imune ataca a mielina do cérebro e o sistema nervoso central — nesse caso, as células progenitoras são convertidas em células produtoras de mielina no cérebro.

Até o momento, a replicação não é eficiente o suficiente para cobrir as perdas causadas pelos pacientes da doença, mas estudos com roedores têm se mostrado promissores. A maior parte dos tratamentos atuais foca em suprimir o sistema imune ao invés de gerar mielina.

Fonte: MIT via Neuroscience News

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