Cientistas descobrem tipo de Ebola que infecta morcegos e pode chegar em humanos

Cientistas descobrem tipo de Ebola que infecta morcegos e pode chegar em humanos

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 01 de Março de 2022 às 11h20
rigel/Unsplash

Em muitos países, a covid-19 ainda é um desafio para a saúde pública e esforços ainda são necessários para conter o coronavírus SARS-CoV-2. No entanto, pesquisadores já investigam possíveis alvos de uma próxima pandemia, como é o caso de um tipo de vírus parecido com o Ebola, o Bombali. Estudos iniciais sugerem que este pode, potencialmente, ser transmitido de morcegos para humanos.

Publicado na revista científica Cell Press, o preprint — estudo que ainda não passou por revisão de pares — foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Muito provavelmente, o vírus Bombali pode representar uma doença zoonótica de risco em humanos, caso um dia ela salte do seu hospedeiro natural.

Pesquisa identifica vírus em morcegos que pode representar risco para a saúde global (Imagem: Reprodução/Byrdyak/Freepik)

Nesse cenário, o estudo dos cientistas do CDC é uma iniciativa que busca rastrear potenciais riscos desconhecidos para a saúde global e se adiantar na busca de tratamentos. Com esses preparativos, o mundo pode mitigar os efeitos de uma eventual próxima pandemia. Afinal, vírus que saltam de animais selvagens (ou não) são os mais prováveis a causarem danos mundiais para a espécie humana.

Entenda riscos do Ebolavirus

O vírus Bombali é do gênero Ebolavirus e, por enquanto, foi identificado apenas em animais selvagens na África Equatorial. Em outras palavras, é apenas um risco potencial para os humanos e foi descrito pela primeira vez em 2018. Além deste vírus, existem cinco espécies conhecidas desse gênero:

  • Vírus do Ebola (Zaire ebolavirus);
  • Vírus do Sudão (Sudan ebolavirus);
  • Vírus da floresta Tai (Tai Forest ebolavirus);
  • Vírus Bundibugyo (Bundibugyo ebolavirus);
  • Vírus Reston (Reston ebolavirus) — sendo que este provocou doenças apenas em primatas não-humanos.

De todas as espécies conhecidas, o Ebola é o mais perigoso e, ainda hoje, causa surtos em países da África Oriental e Central, onde foi originalmente descoberto. Entre os anos de 2014 e 2016, até dois terços das pessoas infectadas morreram em decorrência da doença, segundo os autores do estudo.

Pesquisa com o Bombali

Inicialmente, a equipe de pesquisadores avaliou se o vírus Bombali poderia infectar os seres humanos. Em laboratório, o agente infeccioso foi isolado e, em seguida, foi colocado em contato com os macrófagos humanos – glóbulos brancos que se "alimentam" organismos invasores.

De forma semelhante ao Ebola, o Bombali "infectou células humanas e macrófagos humanos primários", afirmam os autores. Além disso, o agente infeccioso foi capaz de "entrar eficientemente nas células", através do mesmo mecanismo que o primo viral.

"Tanto o BOMV [Bombali] quanto o EBOV [Ebola] induziram genes pró-inflamatórios enquanto inibiam a expressão dos principais receptores de macrófagos importantes para controlar a fagocitose e a apresentação de antígenos", detalham os autores.

Possíveis tratamentos

Além de verificar a capacidade do vírus em infectar as células humanas e "fugir" da resposta imune, os pesquisadores buscaram entender como medicações disponíveis contra o Ebola poderiam atuar contra o Bombali. Mais especificamente, foi testada a eficácia do antiviral remdesivir e de terapias de anticorpos monoclonais (sintéticos).

Quando o remdesivir foi administrado na mesma dosagem do Ebola, o medicamento ajudou a suprimir a replicação do vírus e a prevenir a infecção, explicam os autores. No caso dos anticorpos sintéticos, nem todos tiveram o mesmo efeito positivo. A perda de eficácia pode ser explicadas pelas mutações entre os vírus de espécies distintas, o que limita o poder de alcance.

A vantagem é que, no caso de uma pandemia, a ciência já saberá por onde começar os estudos. Os testes pré-clínicos trazem importantes insights, mesmo que precisem ser confirmados em humanos.

Fonte: Cell Press e CDC       

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