Cientistas descobrem local de origem da paranoia no cérebro
Por Nathan Vieira • Editado por Luciana Zaramela | •

Cada vez que um artigo científico se dispõe a entender mais uma das complexidades do cérebro, ficamos mais perto de conseguir lidar com determinadas condições. É o caso da paranoia, por exemplo: um estudo publicado na edição de junho da Cell Reports pode ter encontrado um lugar "especial" que esse tipo de pensamento ocupa no cérebro.
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Os cientistas de Yale descobriram que áreas específicas do cérebro podem provocar ocasionalmente a paranoia.
A metanálise (ou seja, a análise de outros estudos anteriormente publicados) se concentrou nos resultados de um teste feito com macacos e humanos. Primeiro, os cientistas fizeram um procedimento neurológico em alguns dos macacos, afectando duas regiões: os núcleos dorsais do tálamo — que desempenham um papel no planejamento e no pensamento abstrato — e o córtex pré-frontal, envolvido na tomada de decisões.
Enquanto isso, as pessoas preencheram questionários destinados a avaliar o nível de paranoia e sinais de depressão.
No teste, era necessário selecionar um símbolo para ganhar uma recompensa. Alguns símbolos davam uma recompensa maior que outros, então com o tempo era possível perceber isso.
No entanto, na metade do estudo, os resultados mudaram, e o pior símbolo passou a dar mais recompensas. Ao analisar os comportamentos dos macacos e dos humanos antes e depois da mudança, a equipe foi capaz de avaliar quais das áreas cerebrais podem afetar a capacidade do macaco.
Regiões da paranoia no cérebro
Os dados indicaram que tanto o tálamo mediodorsal magnocelular dentro do núcleo talâmico dorsal quanto as localizações no córtex orbitofrontal afetaram o comportamento dos macacos após a troca do teste. A presença de lesões em ambas as regiões cerebrais impactou negativamente a reação dos animais.
Conforme diz o estudo, os macacos com lesões no córtex orbitofrontal ficam mais frequentemente com as mesmas opções mesmo depois de não receberem uma recompensa, mas aqueles com lesões no tálamo mediodorsal passam a suspeitar, mesmo após receberem recompensa. Ou seja: paranoia!
Em comunicado, a universidade reconhece que as descobertas oferecem novas informações sobre o que está acontecendo no cérebro humano e o papel que o tálamo mediodorsal pode desempenhar quando as pessoas experimentam paranoia.
“Isso nos permite perguntar como podemos traduzir o que aprendemos em espécies mais simples – como ratos, camundongos, talvez até invertebrados – para compreender a cognição humana. Talvez no futuro possamos usar isso para encontrar novas maneiras de reduzir a paranoia em humanos”, diz Steve Chang, professor de psicologia e neurociência de Yale e co-autor do estudo.
Fonte: Cell Reports, Yale News