Publicidade

Cientistas descobrem local de origem da paranoia no cérebro

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  |  • 

Compartilhe:
Usman Yousaf/Unsplash
Usman Yousaf/Unsplash

Cada vez que um artigo científico se dispõe a entender mais uma das complexidades do cérebro, ficamos mais perto de conseguir lidar com determinadas condições. É o caso da paranoia, por exemplo: um estudo publicado na edição de junho da Cell Reports pode ter encontrado um lugar "especial" que esse tipo de pensamento ocupa no cérebro.

Os cientistas de Yale descobriram que áreas específicas do cérebro podem provocar ocasionalmente a paranoia.

A metanálise (ou seja, a análise de outros estudos anteriormente publicados) se concentrou nos resultados de um teste feito com macacos e humanos. Primeiro, os cientistas fizeram um procedimento neurológico em alguns dos macacos, afectando duas regiões: os núcleos dorsais do tálamo — que desempenham um papel no planejamento e no pensamento abstrato — e o córtex pré-frontal, envolvido na tomada de decisões.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Enquanto isso, as pessoas preencheram questionários destinados a avaliar o nível de paranoia e sinais de depressão.

No teste, era necessário selecionar um símbolo para ganhar uma recompensa. Alguns símbolos davam uma recompensa maior que outros, então com o tempo era possível perceber isso.

No entanto, na metade do estudo, os resultados mudaram, e o pior símbolo passou a dar mais recompensas. Ao analisar os comportamentos dos macacos e dos humanos antes e depois da mudança, a equipe foi capaz de avaliar quais das áreas cerebrais podem afetar a capacidade do macaco.

Regiões da paranoia no cérebro

Os dados indicaram que tanto o tálamo mediodorsal magnocelular dentro do núcleo talâmico dorsal quanto as localizações no córtex orbitofrontal afetaram o comportamento dos macacos após a troca do teste. A presença de lesões em ambas as regiões cerebrais impactou negativamente a reação dos animais.

Conforme diz o estudo, os macacos com lesões no córtex orbitofrontal ficam mais frequentemente com as mesmas opções mesmo depois de não receberem uma recompensa, mas aqueles com lesões no tálamo mediodorsal passam a suspeitar, mesmo após receberem recompensa. Ou seja: paranoia!

Em comunicado, a universidade reconhece que as descobertas oferecem novas informações sobre o que está acontecendo no cérebro humano e o papel que o tálamo mediodorsal pode desempenhar quando as pessoas experimentam paranoia.

Continua após a publicidade

“Isso nos permite perguntar como podemos traduzir o que aprendemos em espécies mais simples – como ratos, camundongos, talvez até invertebrados – para compreender a cognição humana. Talvez no futuro possamos usar isso para encontrar novas maneiras de reduzir a paranoia em humanos”, diz Steve Chang, professor de psicologia e neurociência de Yale e co-autor do estudo.

Fonte: Cell Reports, Yale News