Cientistas conseguem eliminar completamente o vírus HIV em ratos de laboratório

Por Rafael Rodrigues da Silva | 02 de Julho de 2019 às 18h20

Uma pesquisa pode ter encontrado o caminho para uma possível cura para a AIDS, que envolve o uso em conjunto de técnicas de alteração genética e tratamento antirretroviral (TARV) para a criação de um tratamento que consegue eliminar totalmente o vírus HIV do corpo do hospedeiro.

A técnica foi desenvolvida por uma parceria entre pesquisadores da Escola de Medicina Lewis Katz da Universidade Temple (EUA) e Centro Médico Nebraska, também dos Estados Unidos. A pesquisa foi encabeçada pelo Dr. Kamel Khalili, professor titular da Universidade Temple e chefe do Departamento de Neurociência, Diretor do Centro de Neurologia e também Diretor do Centro de Estudos de NeuroAIDS da universidade, e contou com a colaboração de diversos virologistas, imunologistas, biologistas moleculares, farmacologistas e farmacêuticos para que o tratamento fosse um sucesso.

Atualmente, os melhores tratamentos de AIDS existentes no mundo são do tipo TARV, que utilizam medicamentos para impedir a reprodução do vírus HIV (causador da AIDS) no organismo dos pacientes. Ainda que esses tratamentos atualmente possuam uma taxa de sucesso bem alta e permitam que aqueles que possuem a doença vivam vidas normais, eles não são uma cura — apenas impedem que o vírus se reproduza e torne a pessoa cada vez mais doente, o que significa que qualquer um que contraia a doença precisa tomar esses remédios literalmente até o resto da vida.

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Paralelamente, a equipe do Dr. Khalili já havia tido um certo grau de sucesso na procura por uma cura com a tecnologia CRISPR-Cas9, que permitiu a eles desenvolver uma forma de editar os genes de células infectadas pelo HIV e remover delas o vírus da doença — mas, assim como o TARV, esse tipo de tratamento também não tinha eficácia suficiente para curar a doença por si só, porque a taxa de reprodução do vírus é tão alta que o método simplesmente não consegue afetar todas as células infectadas antes que o vírus se reproduza e infecte novas células.

Foi então que, em seu estudo mais recente, a equipe teve a ideia de combinar ambos os tratamentos para testar como eles iriam se comportar. Assim, eles combinaram ambos os medicamentos com uma nova estratégia de terapia desenvolvida recentemente chamada de LASER ART, que se baseia em, ao invés de “soltar” todo o medicamento retroviral de uma vez, fazer com que ele seja liberado aos poucos, agindo por um maior período de tempo. A vantagem desse tratamento é que ele mantém os níveis de reprodução do vírus HIV em baixa por um período maior de tempo, o que exige que se faça uma administração mais espaçada dos antirretrovirais. A ideia era testar se esse tipo de tratamento poderia suprimir a reprodução do vírus por tempo suficiente para que o tratamento com CRISPR-Cas9 se tornasse algo realmente eficaz.

Para o teste, os pesquisadores usaram ratos geneticamente modificados para produzir células humanas que fossem suscetíveis a uma infecção por HIV, permitindo testar também por quanto tempo a técnica LASER ART conseguiria suprimir a reprodução do vírus em organismos com a doença já em caso avançado. Assim que a infecção fosse confirmada, esses ratos eram tratados com ambos os medicamentos (o antirretroviral e o CRISPR-Cas9) e monitorados para definir se o tratamento estava fazendo algum efeito. Ao fim do período de tratamento, cerca de um terço dos ratos infectados haviam sido totalmente curados da doença, não apresentando nenhum indício da existência do vírus HIV em seus organismos.

A descoberta é um marco importantíssimo na busca do tratamento da doença, pois pela primeira vez encontrou-se claramente um método de não apenas suprimir como também eliminar completamente o vírus de um organismo, deixando claro qual é o caminho que deve ser seguido para o desenvolvimento de uma cura para a AIDS.

Contudo, o Dr. Khalili avisa que ainda estamos longe de uma cura que possa ser produzida em escala comercial e distribuída para a população doente, mas o fato de o caminho para ela já ter sido descoberto deverá acelerar bastante esse processo.

Fonte: EurekAlert!

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