Ciência comprova: você e seu parceiro possuem as mesmas bactérias na pele

Ciência comprova: você e seu parceiro possuem as mesmas bactérias na pele

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 21 de Março de 2022 às 16h44
twenty20photos/envato

Com o passar dos anos, pessoas em um relacionamento amoroso e sexual tendem a se tornar mais parecidas. Por exemplo, o estilo de se vestir e os gostos pessoais (músicas, filmes e comidas preferidas) se misturam. Às vezes, até a personalidade é transformada. Agora, pesquisadores canadenses também apontam que o microbioma da pele pode ser compartilhado.

Vale explicar que o microbioma humano é a soma dos microorganismos que "moram" nos tecidos e fluidos humanos, sendo composto, em sua maioria, por bactérias. De forma geral, cada local do organismo tem seu microbioma específico, como a pele e o intestino, e estes costumam ser diferentes entre pessoas. Só que, aparentemente, casais podem compartilhar parte desses seres.

Casais sexualmente ativos compartilham microbiomas semelhantes na pele (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato)

Publicado na revista mSystems, o estudo sobre o compartilhamento do microbioma da pele entre casais foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá. "Esses resultados mostram que um parceiro em coabitação [em um relacionamento sexual] pode influenciar significativamente nossa microbiota", afirmam os autores da pesquisa.

Estudo sobre o microbioma de casais

No estudo, os pesquisadores coletaram amostras do microbioma da pele de 17 pontos do corpo em 10 casais sexualmente ativos, totalizando 20 indivíduos. Foram coletadas amostras das pálpebras, narinas, axilas, tronco, costas, umbigo, pés e palmas das mãos, por exemplo.

A ideia era observar se os voluntários compartilhavam parte da microbiota humana. "Ao analisar todas as amostras juntas, a modelagem do microbioma aleatório descobriu que as amostras dos casais podem ser correspondidas corretamente em 86% das vezes, o que é 6,5 vezes maior do que o acaso e sempre teve uma taxa de erro menor do que os 1.000 agrupamentos aleatórios de amostras de participantes do casal", afirmam os pesquisadores.

Em outras palavras, viver junto com uma pessoa pode influenciar significativamente as comunidades microbianas na sua pele. Curiosamente, os pés eram área em que microbiota era mais semelhante entre os casais. O oposto foi a parte interna da coxa.

De acordo com os pesquisadores, o microbioma desta parte da coxa era mais impactado pelo sexo do voluntário que pela existência do parceiro. Nesse sentido, os algoritmos podiam diferenciar entre homens e mulheres, com 100% de precisão, analisando apenas amostras da coxa.

"Estudos de acompanhamento serão importantes para investigar as implicações da microbiota compartilhada na saúde dermatológica e as contribuições de pais que coabitam para os perfis de microbioma de seus bebês", apontam os autores para novas pesquisas na área.

Fonte: mSystems    

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