Canabidiol impede progressão da epilepsia, segundo estudo da USP

Por Nathan Vieira | 14 de Julho de 2020 às 14h15
Pixabay

Na última semana, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP divulgou uma pesquisa voltada à epilepsia, feita com ratos geneticamente selecionados para apresentarem os sintomas. O estudo realizado mostrou que o canabidiol (CBD, substância derivada da Cannabis), conseguiu evitar a progressão da doença.

As crises que consistem a epilepsia são manifestações de um “mal funcionamento” em um ou mais conjuntos de neurônios no cérebro, e segundo esse estudo, o tratamento impediu o recrutamento de novas áreas cerebrais no processo que dá origem à epilepsia em novas partes do cérebro. Um dos pesquisadores responsáveis, William Lopes, contou ao Jornal da USP que o modelo genético utilizado foi a linhagem Wistar Audiogenic Rat (WAR), animais que vêm sendo selecionados pela sua maior predisposição às crises epilépticas.

“Quando expostos a estímulos agudos, os animais apresentam crises controladas pelo tronco encefálico, chamadas tônico-clônicas e, quando expostos a estímulos crônicos, manifestam as crises límbicas, aquelas mais severas e semelhantes às crises epilépticas do lobo temporal que são vistas em pacientes com a doença”, explicou o pesquisador.

Canabidiol impede progressão da epilepsia, segundo estudo da USP (Imagem: Pixabay)

No estudo, o tratamento com canabidiol foi capaz de prevenir o surgimento das crises límbicas, e quando aconteciam,  essas crises eram menos intensas. “O tratamento crônico conseguiu frear a progressão da doença, impedindo o recrutamento de novas áreas do cérebro e bloqueando as crises límbicas”, concluiu o pesquisador.

Outro aspecto presente no estudo é o fato de que o modelo conseguiu imitar, mesmo que parcialmente, a complexidade da situação dos casos clínicos. “Além da susceptibilidade às crises epilépticas, os animais da linhagem WAR apresentam outras doenças neuropsiquiátricas, como aumento de ansiedade e características de comportamentos depressivos, entre outros. Há demonstrações claras de que pessoas com epilepsia também apresentam outros transtornos neuropsiquiátricos associados”, explicou o professor Norberto Garcia-Cairasco, orientador por trás do projeto.

Fonte: Jornal da USP

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