Calculadora virtual ajuda a prever risco de demência; veja como!

Calculadora virtual ajuda a prever risco de demência; veja como!

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 03 de Julho de 2021 às 15h00
Garakta-Studio/Envato Elements

Com o envelhecimento da população, o risco do aparecimento de doenças degenerativas também é maior — e conhecer essa possibilidade pode ser peça fundamental para retardar uma condição neurológica na terceira idade. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade de Ottawa e de outros centros de estudo do Canadá desenvolveram uma calculadora virtual que estima o risco de um indivíduo desenvolver demência. A ferramenta é válida para pessoas com 55 anos ou mais.

Vale explicar que demência é um termo genérico para perda progressiva da memória e de outras habilidades cognitivas que podem interferir na vida diária de um indivíduo. Por ano, 76 mil novos casos de demência são diagnosticados no Canadá. No Brasil, pelo menos um milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência, segundo a Alzheimer's Association.

A partir de perguntas sobre a rotina, pesquisa canadense estima risco de demência para população com 55 anos ou mais (Imagem: Reprodução/Ktsimage/Envato Elements)

Até o momento, não há cura ou tratamento para a reversão demência. Por outro lado, cerca de um terço dos casos pode ser evitado através de fatores comportamentais, como mudanças no estilo de vida, atividade física, alimentação saudável, redução do uso de álcool e controle de condições de saúde, como diabetes e pressão alta.

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A partir de análises de risco dessas características, a equipe de pequisa canadense desenvolveu um algoritmo que pode estimar o risco de demência em quem tem mais de 55 anos. No processo de desenvolvimento da ferramenta de saúde pública, foram usados dados dos mais de 75 mil habitantes de Ontário, uma província do país.

Como funciona a calculadora que estima risco de demência?

Calculadora canadense pode estimar risco de desenvolvimento de demência (Imagem: Reprodução/Project Big Life)

"O que diferencia esta calculadora de risco de demência é que você não precisa visitar um médico para realizar um teste", explica a médica Stacey Fisher, uma das autoras do estudo, sobre ferramenta que deve popularizar a conversa sobre a condição, durante entrevista para o Science Daily.

Isso porque "as pessoas já têm todas as informações de que precisam para preencher a calculadora no conforto de suas casas", explica Fisher. Dessa forma, preencher os dados é uma tarefa simples e as respostas podem ser um primeiro contato com a questão, quando ainda há possibilidade de reverter ou retardar os efeitos da condição neurológica.

Para entender se alguma pessoa tem risco de desenvolver demência nos próximos 5 anos, é preciso responder um questionário sobre algumas questões, de forma, anonimizada, já que não é necessário cadastro. Mesmo que o teste disponível seja em inglês, é possível realizá-lo com o auxílio do Google Tradutor ou de outra ferramenta de tradução simultânea, sem dificuldades.

São perguntas como: consumo de cigarros; consumo de álcool; atividade física; estresse diário; detalhes sobre a dieta; sensação de pertencer a uma comunidade; etnia; situação socioeconômica do bairro em que a pessoa reside; educação; estado civil; e número de línguas faladas.

Aliada para novas políticas públicas

Segundo os autores do estudo, a calculadora deve ser usada como um alerta para modificar (ou manter) o estilo de vida dos usuários. Os pesquisadores também têm como objetivo que os formuladores de políticas públicas, como o governo canadense, adotem esse algoritmo de forma generalizada na população.

Afinal, esta é a primeira ferramenta preditiva que foi projetada para prever a demência em nível populacional, segundo a equipe. Por exemplo, a calculadora pode prever o número de novos casos em determinada comunidade, identificar populações de alto risco ou ainda ajudar na formulação de estratégias de prevenção de demência.

"Esta ferramenta dará às pessoas que a preencherem pistas sobre o que podem fazer para reduzir seu risco de demência", comentou o médico Peter Tanuseputro, outro autor do estudo e professor assistente da Universidade de Ottawa. "A pandemia COVID-19 também deixou claro que variáveis ​​sociodemográficas, como etnia e vizinhança, desempenham um papel importante em nossa saúde. Foi importante incluir essas variáveis ​​na ferramenta para que os formuladores de políticas possam entender como diferentes populações são afetadas pela demência, e ajudar a garantir que quaisquer estratégias de prevenção sejam equitativas", completou.

O artigo sobre o algoritmo que pode estimar o risco de demência, publicado na revista Journal of Epidemiology and Community Health, pode ser acessado aqui. Agora, a calculadora virtual está disponível na página do Project Big Life e pode ser conferida aqui.

Fonte: Science Daily    

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