Brasileiros captam momento exato em que coronavírus invade célula humana; veja!

Por Fidel Forato | 09 de Abril de 2020 às 15h25

Já existe quase 1,5 milhão de pessoas infectadas pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cientistas e pesquisadores já sabem que esse vírus tem uma boa capacidade de contaminar pessoas, mas afinal: como esse patógeno invade uma célula saudável?

Para descobrir esse processo, uma equipe de cientistas brasileiros do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) utilizaram amostras do vírus SARS-CoV-2 isoladas, que foram coletadas do nariz e da garganta de um paciente infectado. Após a coleta, infectaram células saudáveis de linhagem Vero, frequentemente utilizada para ensaios em laboratório.

Através da técnica de microscopia eletrônica de transmissão, os cientistas da Fiocruz captaram o momento em que o vírus consegue invadir a célula. Nas imagens captadas, também é possível identificar diversas partículas do novo coronavírus tentando infectar o citoplasma da célula, onde pode ser visualizado o núcleo, responsável por guardar o material genético da célula. Ou ainda compreender como agem as partículas virais no interior da célula infectada.

Pesquisadores da Fiocruz registram processo de infecção de uma célula pelo coronavírus. Os pontos pretos são coronavírus, muito menores que a célula hospedeira, chegando à membrana celular e se aderindo nela (Imagem: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz)

No registro acima feito pela Fiocruz, o coronavírus ainda não infectou a célula. Essa imagem ampliada apresenta partículas virais do SARS-CoV-2 (podem ser identificados pelos pontinhos mais escuros) que ainda estão aderindo à membrana da célula que será infectada.

Na imagem a seguir, há um zoom em uma única partícula viral. Dessa maneira, é possível analisar como o patógeno inicia o seu processo de infecção que irá desencadear um novo caso da COVID-19 no potencial portador dessa célula saudável. O vírus está trabalhando para romper a membrana celular. 

Ação de coronavírus (círculo escuro) é registrada em células saudável por cientistas (Imagem: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz)

Na foto abaixo, o patógeno, que iniciava seu processo de invasão, conseguiu entrar na célula. Isso significa que já há infecção viral no "paciente" em questão e que, no interior dessa célula infectada, também ocorre a replicação viral. Os vírus, ao entrarem na célula, se rompem e liberam seu material genético (o RNA viral). A partir daí, "escravizam" a célula para que ela se torne uma fábrica de novos vírus, replicando-os.

Pesquisa mostra como se comporta o novo coronavírus depois de infectar uma célula (Imagem: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz)

Esse registro, até então inédito no Brasil, foi obtido durante pesquisa que investiga a replicação viral do SARS-CoV-2, conduzido pelos pesquisadores Débora Barreto e Marcos Alexandre Silva, do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, e Fernando Mota, Cristiana Garcia, Milene Miranda e Aline Matos, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo. É mais um passo para entender a melhor forma de combater e tratar os casos da COVID-19.

Fonte: Agência Fiocruz

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