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Biólogos investigam quais vírus de morcegos infectam humanos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Maio de 2024 às 13h36

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José Ignacio García Zajaczkowski/Unsplash
José Ignacio García Zajaczkowski/Unsplash

Quais vírus os morcegos carregam? É essa a pergunta que o Institut Pasteur de São Paulo quer descobrir em uma nova pesquisa. A partir da vigilância dos morcegos que moram determinadas áreas da Mata Atlântica, os pesquisadores pretendem monitorar patógenos capazes de infectar humanos.

Esse próximo estudo deve durar cerca de quatro anos, e deve ajudar a esclarecer como esse grupo  viral evolui, qual a diversidade dele no bioma brasileiro e qual seria o potencial zoonótico e de emergência desse agente.

“Não apenas pela nossa densidade populacional, mas pela diversidade de animais e pelas pressões antropogênicas, como desmatamento e queimadas. Tudo isso tem influência no surgimento de doenças emergentes”, afirma em comunicado o biólogo Luiz Gustavo Góes, coordenador do grupo.

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Existem 117 espécies de morcegos na Mata Atlântica, que contempla alguns dos principais centros urbanos do país,  como São Paulo e Rio de Janeiro.

Morcegos da Mata Atlântica

O estudo deve contar com a coleta de morcegos de diferentes áreas florestais do município de São Paulo, além de áreas mais afastadas das cidades, próximas a fazendas e áreas de cultivo de cana-de-açúcar.

Para fazer o estudo acontecer, os biólogos também vão contar com a ajuda dos centros de controle de zoonoses da cidade de São Paulo, que recebem morcegos de diferentes municípios para o diagnóstico da raiva.

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Mas os envolvidos garantem que os morcegos capturados pelo grupo em áreas florestais conservadas ou em áreas urbanas não serão sacrificados. Serão realizadas apenas coletas com swabs oral e retal. 

“A ideia é não apenas identificar agentes novos, mas também entender como é a biologia desses agentes: qual o tecido em que estão mais concentrados, onde se replicam e como evoluem”, acrescenta o pesquisador.  

O primeiro passo vai ser isolar o DNA e o RNA da espécie. Depois, o grupo vai usar técnicas de biologia molecular usando testes de PCR.

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Conforme indicam os biólogos, o estudo também vai contar com análises para ver se a sequência viral se parece com algo já existente ou se é novo.

Eles querem responder as seguintes perguntas:

  • É um vírus novo?
  • É um vírus antigo?
  • Qual é sua proximidade com outros vírus emergentes e capazes de infectar humanos?

"E, posteriormente a isso, tentaremos isolar o vírus usando diferentes linhagens celulares convencionais”, conta o professor.

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A equipe já participou de estudos concentrados na identificação de vírus com potencial de infectar humanos, como um publicado na revista Emerging Infectious Diseases, em que detectaram RNA de arenavírus em 1,6% de 1.047 morcegos.

Evitar futuras doenças

O grupo teve a ideia de fazer esse próximo estudo porque o Brasil está entre as regiões com o maior potencial de surgimento de uma doença emergente.

Não é a toa que, no ano passado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coletou amostras de aves e morcegos para se antecipar ao surgimento de novas doenças.

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Na ocasião, 16 universidades brasileiras se uniram para analisar 7,5 mil amostras de sangue em laboratório. 

Nos morcegos, os pesquisadores identificaram 146 coronavírus, 12 paramyxovirus e um vírus "parente" do causador do sarampo.

Então o que mais tem por aí? O Institut Pasteur de São Paulo quer saber. Resta acompanhar a pesquisa ao longo desses quatro anos para ver os vírus presentes nos morcegos da Mata Atlântica.

Fonte: Institut Pasteur, Emerging Infectious Diseases