Bactéria pode ajudar a curar feridas mais rápido em pessoas com diabetes
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |

Para garantir uma boa cicatrização, o recomendado é manter o local de uma ferida sempre limpo e higienizado. Embora isso seja verdade para a maioria dos casos, algumas bactérias auxiliam nesse processo, especialmente em pessoas com diabetes que apresentam as úlceras do pé diabético. É o caso da Alcaligenes faecalis, como aponta estudo da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
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Originalmente, a bactéria A. faecalis foi identificada em fezes humanas, daí o nome do patógeno. Entretanto, análises posteriores observaram que a bactéria em forma de bastonetes pode ser encontrada também na água e no solo.
Inclusive, A. faecalis é identificada naturalmente na microbiota de algumas feridas, sem causar infecções nocivas, como demonstraram os pesquisadores da Pensilvânia em um estudo anterior (eles rastrearam todos os patógenos presentes em feridas de pacientes com pé diabético). Desde então, o grupo suspeitava que a bactéria conseguia acelerar a cicatrização e a cura.
Bactéria que “cura” de feridas
Para entender se a bactéria A. faecalis realmente ajudava na cura das úlceras, os pesquisadores norte-americanos realizaram diferentes experimentos, detalhados em artigo publicado na revista Science Advances.
No teste de cicatrização em camundongos diabéticos, as feridas que continham a bactéria A. faecalis se “fechavam” de forma mais rápida. Os primeiros sinais de melhora já podiam ser observados no terceiro dia, diferente do que ocorria em feridas sem o patógeno. Não foi identificado nenhum sinal de infecção.
Em paralelo, os pesquisadores descobriram que a bactéria é associada a uma produção aumentada de um tipo de célula conhecida como queratinócitos. Elas são fundamentais no processo de cura. Genes ligados ao sistema imune também são ativados com melhor eficácia, o que contribui positivamente para o processo.
Nos testes com amostras de tecido epitelial humano, retiradas de pacientes diabéticos, a bactéria também foi associada a uma cura mais rápida, além da maior presença de queratinócitos.
"Nossas descobertas mostram que o tratamento com A. faecalis promove o fechamento de feridas diabéticas, aumentando o potencial de epitelização dos queratinócitos diabéticos”, afirmam os autores do estudo, em artigo.
Tratamento para pé diabético?
“Terapias de feridas baseadas em bactérias são uma nova fronteira empolgante [para a medicina]”, sugere Elizabeth Grice, autora do estudo, em nota. “Existem muitas maneiras diferentes de aproveitar nossas descobertas em trabalhos futuros sobre o microbioma de feridas”, acrescenta.
Entre as ideias que valem ser testadas, está o uso dessas bactérias diretamente nas feridas, o que poderia ser avaliado em um possível estudo clínico. Outras ideias podem envolver o rastreio de moléculas pró-cicatrização secretadas por A. faecalis, a produção de cópias sintéticas em laboratório e o uso como um novo remédio.
“Quanto melhor entendermos todo o processo, mais provável será que possamos traduzir nossas descobertas para, em última análise, ajudar pacientes com problemas de cicatrização de feridas na pele”, completa Grice.