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Aumento de casos de miopia infantil surge como efeito da pandemia de covid-19

Por| Editado por Luciana Zaramela | 15 de Dezembro de 2022 às 14h30

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Ira_evva/Envato
Ira_evva/Envato

Na cidade de São Paulo e em outros cantos do globo, o número de crianças e adolescentes diagnosticados com miopia está em alta. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, a maior incidência do distúrbio que dificulta a pessoa de ver de longe é um dos efeitos da pandemia da covid-19. Para ser mais preciso, é causada pela exposição contínua a telas, como celulares, computadores e televisões.

Até o mês de setembro, a rede pública de saúde da cidade de São Paulo já identificou mais de 2 mil casos de miopia em crianças e adolescentes. O aumento em relação aos últimos dois anos foi de 134%, segundo a secretaria.

Aumento dos casos de miopia em crianças e adolescentes em SP

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Para dimensionar o aumento nos casos de miopia como um efeito da pandemia da covid-19, a secretária compartilha os números de diagnósticos da condição em crianças e adolescentes de até 19 anos na rede pública:

  • Em 2019, foram registrados 866 casos da doença;
  • Em 2020, foram registrados apenas 584 casos — a queda pode ser explicada pela fase mais aguda do isolamento social, onde a maioria dos serviços de saúde estavam focados no atendimento da covid-19;
  • Em 2021, foram registrados 1.720 caos;
  • Até setembro de 2022, foram diagnosticados 2.026 casos.

Número de consultas ao oftalmologista não mudou nos últimos anos

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Para explicar o aumento significativo de casos de miopia em crianças e adolescentes, é possível argumentar que o número de consultas médicas aumentou nos últimos dois anos, mas isso não ocorreu — a variação é pouco expressiva. A seguir, confira o número de consultas oftalmológicas feitas na rede pública:

  • Em 2019, foram realizadas 260.587 consultas na população até 19 anos;
  • Em 2020, foram feitas 151.601 consultas;
  • Em 2021, foram realizadas 277.018;
  • Até agosto de 2022, foram feitas 222.754 consultas.

Maior incidência de miopia é consequência da exposição contínua a telas na pandemia

“Com o isolamento social, as crianças ficaram dentro de casa e as atividades se limitaram às telas, como computadores, smartphones e televisores, restringindo o campo visual”, afirma Luciana Emi Sasaki Assae, oftalmologista da Coordenadoria de Regulação da pasta, em nota.

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Conforme a médica explica, “apesar de fatores genéticos e hereditários, estudos comprovam que a exposição continuada, sem intervalos, às telas, seja de smartphones ou computadores, aumenta a chance de a criança se tornar míope".

"Por isso, algumas pesquisas recomendam a prática de recreação ao ar livre, por pelo menos duas horas, em ambientes sem limite visual e em contato a luz solar”, aconselha Assae.

Aumento global de casos de miopia

Vale destacar que o aumento de casos de miopia em crianças não é um problema observado apenas em São Paulo. Na verdade, tem afetado os pequenos em diferentes partes do mundo, como reflexo do período de confinamento. Também pode ser observado nos adultos.

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Na China, um estudo investigou como o isolamento e o maior tempo de exposição a telas impactou nos casos de miopia na população pediátrica. Para isso, uma equipe internacional de pesquisadores analisou dados de 123 mil crianças entre 6 e 13 anos.

Após a avaliação, os autores concluíram que "a prevalência de miopia aumentou de 1,4 a 3 vezes em 2020 em comparação com os 5 anos anteriores". "O estado refrativo das crianças mais novas pode ser mais sensível às mudanças ambientais do que as idades mais avançadas, uma vez que as mais novas estão em um período crítico para o desenvolvimento da miopia", acrescentam em artigo publicado na revista científica Jama Ophthalmology.

Fonte: Prefeitura de SP e Jama Ophthalmology