App Marie da USP diagnostica COVID-19 a partir de radiografia do pulmão

App Marie da USP diagnostica COVID-19 a partir de radiografia do pulmão

Por Fidel Forato | 09 de Julho de 2020 às 20h20
kjpargeter/ Freepik

Para acelerar os diagnósticos de casos do novo coronavírus (SARS-CoV-2), grupo de pesquisadores da USP desenvolveu um aplicativo capaz de identificar se um paciente está com COVID-19 a partir de uma radiografia de pulmão. O app Marie também pode ser usado durante o processo de triagem de casos suspeitos da infecção, já que permite a análise de várias imagens simultaneamente.

Agora, para criar o aplicativo, os pesquisadores brasileiros analisaram cerca de 3,5 mil imagens, sendo duas mil de pacientes que testaram positivo para a COVID-19. Além disso, utilizaram outras 500 radiografias de pacientes com tuberculose e mil exames de pessoas saudáveis. Essas imagens foram obtidas em repositórios do mundo todo, como Brasil, China, Estados Unidos e Itália.

Aplicativo desenvolvida pela USP identifica casos do novo coronavírus a partir de radiografias do pulmão
(Imagem: Divulgação/USP)

Passo a passo

Após a primeira etapa da pesquisa com a seleção das imagens da área do pulmão, “em seguida foi feita uma análise estatística, usando algoritmo capaz de distinguir os três grupos de pacientes: aqueles com a COVID-19, aqueles com tuberculose e aqueles sem nenhuma doença”, explica Paula Cristina dos Santos, formada em Fonoaudiologia e Informática Biomédica e uma das responsáveis pelo desenvolvimento do aplicativo

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Dessa maneira, foi possível identificar as principais diferenças entre as imagens de pulmões afetados pelo novo coronavírus e as imagens daqueles afetados pela tuberculose. Também foi viável, até mesmo, diferenciar alterações causadas pela malária nos pulmões. “Foram identificadas 144 características, sendo 42 específicas da COVID-19", pontua Santos.

"Percebemos que essas características também têm níveis, dependendo do estágio da doença: mais leves, moderados e graves. Agora estamos fazendo estudos mais aprofundados, usando outros algoritmos, para estudar essa evolução nas imagens”, completa sobre as conclusões iniciais da pesquisa para o app Marie.

Pulmão mais denso

Entre as principais características dos pacientes com o novo coronavírus, a pesquisa apontou para a confirmação de maior densidade no pulmão, que fica com “o aspecto de branco jateado, chamado na medicina de ‘vidro fosco’”, explica Santos. Essa é uma característica muito forte dos pacientes com a COVID-19, como já relatado em artigos científicos sobre a infecção. “Na COVID-19, o ‘vidro fosco’ tem apresentado uma forma diferente até em relação a outras patologias que apresentam essa característica, por isso o aplicativo consegue agrupar”, comenta.

Ainda em fase de ajustes, aplicativo Marie apresenta uma assertividade de 93% a 98% no diagnóstico de pacientes com o novo coronavírus, segundo os pesquisadores. “Percebemos que a assertividade cai quando o paciente está na fase inicial da doença, mas em pacientes com grau mais avançado, a assertividade chega a 98%. Então o que precisamos é aprofundar o estudo dos casos leves”, completa Santos.

Marie Curie

O grupo de pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP) da USP e do Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, homenagearam a cientista Marie Curie ao definirem o nome do app. Isso porque a estudiosa polonesa foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e, até hoje, é única pessoa a ganhá-lo duas vezes, um de Física e outro de Química. Além disso, foi Marie quem descobriu o elemento químico Rádio e do Polônio que, mais tarde, colaborou com o desenvolvimento da radiografia e do Raio-X.

Além dos departamentos da USP, o trabalho também contou com a participação de pesquisadores de outras instituições, como a FAMB, FFCLRP e FGV. Agora, o grupo procura formas de financiamento para o projeto.

Fonte: Jornal da USP

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.