Anvisa autoriza testes em humanos de nova vacina contra COVID-19

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 08 de Abril de 2021 às 17h30
CDC / Unsplash

Nesta quinta-feira (8), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o quinto estudo, em humanos, de vacinas contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) no Brasil. Durante a terceira e última fase antes da eventual aprovação, voluntários brasileiros poderão participar da pesquisa de eficácia e segurança do imunizante contra a COVID-19, desenvolvido pela biofarmacêutica canadense Medicago R&D e pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK).

Ainda sem data de previsão para o início, o ensaio clínico aprovado pela Anvisa é de fase 2/3, randomizado, cego para observador, controlado por placebo, para avaliar a segurança, eficácia e imunogenicidade da vacina em adultos com 18 anos de idade ou mais. Durante este processo, serão três etapas distintas com diferentes perfis de participantes.

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No total, o estudo planeja incluir até 30 mil voluntários distribuídos entre o Canadá, os Estados Unidos, além da América Latina, Reino Unido e Europa. No caso brasileiro, o objetivo é incluir 3,5 mil voluntários na porção 3 do estudo de Fase 2/3. A fase 1 e 2 do estudo já está em andamento em outros países.

Vacina da Medicago/GSK deve ser testada em 3,5 mil voluntários no Brasil contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Erika8213/Envato)

"Para esta autorização, a Anvisa analisou os dados das etapas anteriores de desenvolvimento dos produtos, incluindo estudos não clínicos in vitro e em animais, bem como dados preliminares de estudos clínicos em andamento. Os resultados obtidos até o momento demonstraram um perfil de segurança aceitável das vacinas candidatas", afirma a agência reguladora, em nota. 

Como funciona a vacina Medicago/GSK?

A potencial vacina da Medicago/GSK adota a tecnologia de partícula semelhante ao coronavírus (CoVLP). Para desencadear a imunidade contra o coronavírus, também carrega a proteína S expressa em forma de partículas parecidas com vírus (VLPs), coadministradas com um adjuvante, em duas doses, com intervalo de 21 dias entre elas.

De acordo com o jornal The New York Times, o desenvolvimento é, parcialmente, financiado pela fabricante de cigarros Philip Morris. Nese processo, o composto da vacina foi criado a partir de uma planta chamada Nicotiana benthamiana, conhecida como tabaco selvagem. Para isso, os pesquisadores injetam genes selecionados nas folhas e as células vegetais produzem proteínas que imitam o coronavírus.

Quais vacinas da COVID-19 são testadas no Brasil?

A vacina da Medicago/GSK é o quinto estudo de imunizante contra o novo coronavírus já autorizado pela Anvisa no país. Vale lembrar que os estudos aprovados anteriormente foram:

  • Junho de 2020: o ensaio clínico da vacina Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford e a empresa Astrazeneca;
  • Julho de 2020: o ensaio clínico da vacina CorornaVac, elaborada pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan;
  • Julho de 2020: o ensaio clínico da vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pela empresa de biotecnologia BioNTech;
  • Agosto de 2020: a vacina da Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Fonte: Anvisa e NYT  

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