Variante inédita do coronavírus é identificada em Belo Horizonte

Variante inédita do coronavírus é identificada em Belo Horizonte

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 07 de Abril de 2021 às 17h55
IciakPhotos/Envato Elements

Com a intensa circulação do coronavírus SARS-CoV-2 e o baixo número de pessoas imunizadas, o Brasil vive o cenário ideal para a formação de novas variantes do vírus da COVID-19, além da cepa de Manaus (P.1) e do Rio de Janeiro (P.2), de acordo com especialistas. Agora, uma provável terceira variante foi identificada em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

A descoberta aconteceu a partir de amostras do coronavírus que foram coletadas entre os dias 28 de outubro de 2020 e 15 de março deste ano. No total, 85 genomas do vírus da COVID-19, coletados na região metropolitana de Belo Horizonte, foram sequenciados. Desse total, os pesquisadores verificaram que duas amostras eram inéditas e acumulavam 18 mutações ainda não descritas anteriormente juntas. Até o momento, a cepa não recebeu um nome específico.

Com 18 mutações, nova variante do coronavírus é identificada em Belo Horizonte (Imagem: Reprodução/Rawpixel)

Pelo menos é o que concluiu a análise genômica organizada por diferentes organizações de pesquisa, envolvendo o Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini, o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Prefeitura de Belo Horizonte.

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"Os resultados da pesquisa requerem urgência de esforços de vigilância genômica na região metropolitana de BH e estado de Minas Gerais para a avaliação da situação destes novos variantes de SARS-CoV-2", afirma nota divulgada pela UFMG e pelo Grupo Pardini.

Nova variante de BH

De acordo com a análise genética da nova variante, os dois novos genomas descendem de uma antiga linhagem do coronavírus, a B.1.1.28, que circulou na primeira fase da pandemia em Belo Horizonte. A partir dela, outras mutações se acumularam, como a E484 e a N501, ambas compartilhadas pelas cepas de Manaus, do Rio de Janeiro, do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.1.351). Especificamente, a mutação N501Y foi recentemente associada ao aumento de aproximadamente 60% no risco de mortalidade em indivíduos infectados no Reino Unido.

Segundo informações divulgadas pelo Grupo Pardini, os dois genomas em questão, foram coletadas nos dias 27 e 28 de fevereiro deste ano. Até o momento, não há evidências de ligação entre elas, como contato direto entre os casos. As amostras também não foram coletadas na mesma região geográfica. Por isso, a descoberta reforça a probabilidade de circulação de uma nova variante do agente infeccioso.

Além disso, o levantamento apontou para o aumento progressivo de outras variantes do coronavírus em circulação na região de Belo Horizonte, já que sete linhagens diferentes do vírus foram identificadas. O destaque é para a predominância da cepa de Manaus (30 amostras) e para a do Rio de Janeiro (41).

No momento, os dados coletados pela pesquisa genômica foram disponibilizados em bases de dados públicos nacionais (Corona-Ômica.BR – MCTI) e internacionais (GISAID). O grupo de cientistas também prevê que a descoberta deve ser publicada, posteriormente, em um periódico científico.

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