Antidepressivo de baixo custo reduz risco de hospitalização por covid

Antidepressivo de baixo custo reduz risco de hospitalização por covid

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 28 de Outubro de 2021 às 14h00
Christine Sandu/Unsplash

Buscando alternativas para o tratamento da covid-19, um estudo, feito no Brasil, verificou que o antidepressivo fluvoxamina pode ser um importante aliado. O medicamento reduziu as chances de hospitalização de pacientes infectados pelo coronavírus SARS-CoV-2 e com alto risco de complicações. Fora da emergência da pandemia, a fórmula é prescrita para o tratamento de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

O interesse pela fluvoxamina surgiu pela capacidade do medicamento em reduzir inflamações do organismo. No caso da covid-19, a tempestade de citocinas — causada por uma resposta imunológica excessiva, onde o organismo ataca a si próprio — é um dos fatores que levam a complicações do quadro do paciente. Anteriormente, outros estudos avaliaram a fluvoxamina no início da pandemia e mostraram resultados promissores.

Antidepressivo fluvoxamina pode reduzir risco de internação em casos da covid-19 (Imagem: Reprodução/HalGatewood/Unsplash)

Publicado na revista científica The Lancet Global Health, o novo estudo sobre a fluvoxamina contou com a participação de pesquisadores no Canadá, Estados Unidos e Brasil. Potencialmente, as descobertas da pesquisa TOGETHER podem ajudar a saúde pública, já que o tratamento de 10 dias com o remédio custa cerca de US$ 4 nos EUA, o que equivale a 22,40 reais.

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Entenda o estudo

No estudo, participaram quase 1,5 mil voluntários brasileiros que foram divididos em dois grupos: um recebeu a fluvoxamina e o outro apenas um placebo. O ensaio clínico ocorreu entre os dias 20 de janeiro a 5 de agosto de 2021 e, segundo os autores, o medicamento reduz em até 32% as taxas de hospitalização prolongada e de permanência na emergência dos pacientes, além de reduzir risco de óbito.

"Este ensaio de plataforma adaptativa, randomizado e controlado por placebo feito entre adultos brasileiros sintomáticos de alto risco com confirmação positiva para SARS-CoV-2 incluiu pacientes elegíveis de 11 centros clínicos no Brasil com um conhecido fator de risco para progressão para doença grave", detalham os autores sobre o perfil do ensaio.

"O tratamento com fluvoxamina (100 mg duas vezes ao dia por 10 dias) entre pacientes ambulatoriais de alto risco, com diagnóstico precoce de covid-19, reduziu a necessidade de hospitalização definida como retenção em um ambiente de emergência covid-19 ou transferência para um hospital terciário [setores mais especializados do hospital]", concluíram os autores.

No entanto, especialistas, consultados pelo jornal The New York Times, levantaram algumas questões sobre o estudo, como a melhor dosagem adequada para o tratamento. Além disso, a maioria dos pacientes não foi vacinada e, entre imunizados, os resultados podem, potencialmente, ser diferentes.

Vale destacar que a proposta do estudo não foi promover o uso de automedicação e a prescrição de fluvoxamina somente deve ser feita por profissionais da saúde. Mais estudos devem ser realizados com o medicamento.

Para acessar o estudo completo sobre o antidepressivo, publicado na revista científica The Lancet Global Health, clique aqui.

Fonte: NYT  

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