MSD libera fórmula para países pobres fabricarem pílula anti-covid genérica

MSD libera fórmula para países pobres fabricarem pílula anti-covid genérica

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Outubro de 2021 às 14h50
Twenty20photos/Envato Elements

Para tornar o acesso mais igualitário aos medicamentos contra a covid-19, a farmacêutica norte-americana MSD, ou apenas Merck, anunciou uma medida histórica: não receberá royalties pelas vendas do potencial antiviral molnupiravir em determinadas localidades, enquanto o mundo enfrentar a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2. Para isso, a empresa autorizará que países de menor renda produzam versões genéricas do medicamento.

No anúncio, divulgado nesta quarta-feira (27), a MSD informou que concedeu uma licença isenta de royalties a uma organização sem fins lucrativos apoiada pelas Nações Unidas, a Medicines Patent Pool. A ideia é que o medicamento para casos leves e moderados da covid-19 seja fabricado e vendido a baixo custo nas nações mais pobres, onde as vacinas ainda não chegam de forma adequada.

Farmacêutica permitirá que países pobres produzam versão genérica do potencial remédio contra a covid-19 (Imagem: Reprodução/Duallogic/Envato Elements)

O acordo da farmacêutica com a Medicines Patent Pool permitirá que empresas de 105 países, principalmente da África e da Ásia, sublicenciem a formulação da pílula antiviral e, dessa forma, consigam produzir nacionalmente o medicamento.

Antes do anúncio, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mencionou a possibilidade de produzir o molnupiravir no Brasil. É possível que esta produção esteja relacionada com a Medicines Patent Pool, mas nada foi confirmado até o momento.

Medida histórica no combate à pandemia

Caso a medida que favorece o acesso igualitário ao antiviral não fosse adotada, as entregas do medicamento estariam concentradas apenas nos países ricos, como acontece com as vacinas da covid-19. Por exemplo, no continente africano, cerca de 5,5% da população está com o esquema vacinal completo — duas doses ou imunizante de dose única —, segundo dados da plataforma Our World in Data.

De acordo com a farmacêutica, o antiviral reduziu em aproximadamente 50% os riscos de internação e morte em um estudo clínico global de Fase 3. Hoje, a agência reguladora de medicamentos e alimentos dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), ainda analisa autorização para uso emergencial do molnupiravir, mas milhões de encomendas já foram feitas. A produção está quase toda vinculada aos países ricos.

“Temos o prazer de colaborar com a MPP [Medicines Patent Pool] para garantir que versões genéricas do molnupiravir, com qualidade garantida, possam ser desenvolvidas e distribuídas rapidamente após a autorização regulatória. Este acordo é outro grande exemplo de como as parcerias e a colaboração podem fazer mais para enfrentar os desafios globais da saúde do que qualquer organização poderia fazer por conta própria”, afirmou Wendy Holman, diretora-executiva da Ridgeback Biotherapeutics, em comunicado. A empresa também é uma das responsáveis pelo antiviral.

Fonte: NYT e MSD   

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